Escassez de mão de obra atrapalha o setor

Ativistas defendem o ensino de programação nas escolas para reduzir déficit de profissionais de TI e estimular inovação

Ligia Aguilhar / Porto Alegre, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2013 | 02h07

A disputa por mão de obra no mercado de tecnologia é um dos fatores que atrapalha o desenvolvimento de novos negócios com software livre. "A maioria dos programadores é cooptada por grandes corporações e abandonam os sonhos para ganhar milhões em outros lugares", diz Vicente Aguiar, da cooperativa Colivre. "Muitos só precisavam de um empurrãozinho para empreender."

Quem trabalha com software livre é considerado um profissional mais dinâmico e tem reconhecimento no mercado. "São pessoas acostumadas à colaboração. Quem veio do software livre encara isso de forma natural porque não desenvolve sozinho, está acostumado a juntar pedaços e dar suporte, algo cada vez mais valorizado", diz o coordenador do Fisl, Ricardo Fritsch.

Essa disputa se explica pela projeção de que em dois anos o déficit de profissionais de tecnologia da informação e comunicação (TIC) no Brasil triplicará. Estudo da consultoria IDC encomendado pela Cisco aponta que em 2011, 39,9 mil posições não foram preenchidas. Em 2015, esse número vai chegar a 117,2 mil.

Diante desse cenário, o crescimento do software livre e das empresas do ramo depende cada vez mais da questão educacional. Não por acaso o Fisl deste ano teve diversos painéis para discutir o ensino de programação para crianças.

Para os entusiastas da área, não adianta apenas inserir tablets e computadores nas escolas para os alunos usarem como plataforma. "Isso não vai mudar nada se não nos apropriarmos desse conhecimento inteligentemente e mudar a postura", diz Wilkens Lenon, membro da Fundação Software Livre e mestre em Educação Matemática e Tecnológica.

A tese defendida por ele é que, em um mundo cada vez mais digital, o ensino de programação se torna crucial para a formação de crianças e adolescentes. "A ideia é você acessar o conhecimento e depois remixá-lo, criar em cima dele e compartilhar com outras pessoas", diz Lenon. "Os sujeitos que constroem a sociedade da informação e do conhecimento precisam nascer dentro das escolas."

Alguns países já avançaram nessa questão. Após uma consulta pública, o Reino Unido pretende inserir na grade curricular dos ensinos primário e secundário aulas de programação, uso de impressoras 3D, segurança na internet, robótica, entre outras, a partir do próximo ano letivo, em setembro.

Além de dar mais autonomia, o ensino de programação também estimula o aprendizado em sala de aula. Muitos professores já utilizam redes sociais livres como o Noosfero, por exemplo, para que alunos interajam e criem trabalhos utilizando essas redes como extensão da sala de aula. "O ensino de exatas é péssimo no Brasil e cria uma barreira para crianças. O ensino lógico é essencial para quem quer empreender", diz André Ghigntti, diretor da aceleradora Wow.

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