finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Escola deve corresponder ao perfil da criança

Com o mês de outubro, começa a época de matrículas nas escolas particulares e, normalmente, os pais ficam perdidos ao tentar escolher a melhor escola para os filhos. Eles sabem que a escolha é difícil e exige muita responsabilidade. Entre preço, teorias pedagógicas, métodos de ensino, laboratórios, biblioteca, recursos audiovisuais, atividades extracurriculares e resultados objetivos no vestibular, a escola precisa corresponder sobretudo às expectativas da família e à personalidade e capacidade de aprendizado da criança. Por isso, a psicopedagoga Lilia Aguiar Marçon afirma que não existe uma fórmula pronta para se chegar a um bom resultado. "É preciso haver uma parceria entre o que a escola oferece, o que os pais esperam e a personalidade da criança." Do contrário, pode haver conflito, desentendimentos e choque de opiniões. Segundo ela, um dos sinais de que a criança não está bem é a recusa em ir à escola. "E, se isto acontecer, os pais devem procurar saber o que acontece." Os pais também devem ter em mente que não basta fazer uma boa escolha, deve-se acompanhar freqüentemente o desempenho e evolução do filho na escola, alerta a psicopedagoga. Lilia acredita que uma dica importante é levar em conta o instinto materno. "Confiar no feeling de mãe e não escolher a escola por status. Existem pais que infelizmente só se preocupam com o resultado no vestibular. No entanto, o filho pode não conseguir se adaptar a uma escola competitiva simplesmente por não querer ser o melhor." Entre métodos modernos e tradicionaisHá escolas que adotam métodos de ensino mais tradicionais e outras, mais alternativas. Para a educadora e diretora pedagógica Ana Cristina Saab, que aconselha pais em dúvida sobre onde matricular os filhos, a proposta pedagógica da escola deve coincidir com a proposta da família. "Não adianta a escola ter uma proposta educacional liberal se, em casa, o que conta é a disciplina." No entanto, ela admite que as escolas mais valorizadas são aquelas que respeitam as capacidades e individualidade das crianças. "Mas os pais não devem se deixar levar por modismos", alerta.Nos últimos anos, o construtivismo foi um dos modelos pedagógicos mais difundidos no País. Com base nesta teoria, a criança seria agente do seu próprio conhecimento. Ou seja, ela seria estimulada a criar hipóteses e pensar sob diferentes perspectivas. Não haveria fórmulas feitas e respostas prontas. Porém, como o construtivismo virou sinônimo de modernidade, muitas escolas se dizem adeptas desta teoria pedagógica apenas como estratégia de marketing. Por isso, os pais precisam ficar atentos e fazer sempre um acompanhamento do que a criança vem aprendendo e de que forma este aprendizado vem se realizado.Quanto ao ensino de idiomas e atividades extracurriculares, Lilia acredita que estes não devem ser elementos de grande peso na escolha. Ana Cristina acrescenta ainda que estas atividades podem ser realizadas fora da escola, em outros períodos. "O principal é o projeto pedagógico. E vale perguntar também a carga horária destas atividades para saber se não prejudicam o conteúdo pedagógico." Outros aspectos relevantes como iluminação, segurança e higiene também devem ser avaliados pelos pais nas visitas.Incentivo à leitura é fator imprescindívelA psicóloga Maria Luiza Ramacciotti reconhece que os diferentes métodos pedagógicos podem confundir os pais durante a pesquisa nas escolas. "Por isso, é essencial questionar, pesquisar e tirar todas as dúvidas com a coordenação pedagógica." Ela também aconselha fazer visitas de surpresa, durante o período de aula, e prestar atenção em como se comportam as crianças, se parecem à vontade na escola. "Se a escola só aceitar visitas marcadas, fica parecendo que está escondendo algo."Para ela, a principal característica de uma escola a ser priorizada pelos pais é o estímulo à leitura. "O que lêem, com que freqüência e se há biblioteca são perguntas essenciais. Esta é a principal herança da escola para a criança. Uma vez estimulada, ela buscará sozinha o conhecimento de acordo com seus interesses e curiosidades durante a vida inteira." Maria Luiza acredita que a melhor escola é aquela que forma indivíduos mais reflexivos e permite ao aluno questionar, expor suas opiniões e formular hipóteses. Veja no link abaixo dicas de educadores sobre como reconhecer uma boa escola para o filho e o quais as informações relevantes para os pais.

Agencia Estado,

16 de outubro de 2001 | 18h53

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.