Escola sobe acima da inflação nos últimos oito anos

Os gastos com mensalidades escolares na cidade de São Paulo estão 22,47 pontos porcentuais acima da inflação acumulada de 1997 a janeiro de 2004. A comparação foi divulgada hoje pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais (Dieese).Segundo o levantamento, a inflação acumulada no período é de 72,05%, ante um aumento de 94,52% com serviços de educação, cujo índice de maior peso é o de mensalidades escolares. "Este resultado permite afirmar que houve um abuso nos reajustes das mensalidades escolares ao longo deste período", afirmou Cornélia Nogueira Porto, coordenadora do Índice do Custo de Vida (ICV) do Dieese.O grupo Educação é um dos principais vilões da inflação no início do ano, contribuindo para o aumento dos preços. Segundo a coordenadora, em tese, nem precisaria haver aumento, já que até o final do ano passado, a "gordura" das mensalidades ante a inflação ? ainda no acumulado desde 1997 ? era de 7,16 pontos porcentuais. "Os maiores abusos ocorreram em 1997 e 1998. Nestes anos, a diferença foi tão grande que os proprietários de escolas e universidades não precisariam aumentar seus preços durante muito tempo", observou. Em 1997, as mensalidades escolares subiram 14,09% ante inflação de 6,11% no período, segundo o ICV. No ano seguinte, os preços avançaram 0,49% em média ante uma elevação de 8,21% apenas das mensalidades.De acordo com Cornélia, os preços maiores das escolas devem estar atrelados à elevação das margens de lucro. "Não dá para dizer que houve aumento porque os custos foram ampliados porque os professores, por exemplo, não tiverem seus salários reajustados em quase 100% no período", avaliou.Educação pressionou inflação em janeiroO ICV-Dieese apresentou alta de 1,46% em janeiro frente a 0,32% de dezembro. O principal fator de pressão foi do item Educação e Leitura (8,55%) e, dentro deste grupo, o subgrupo educação teve destaque (+9,13%). O comportamento das altas, segundo Cornélia, foi resultado das pressões dos reajustes nas escolas de 1º grau (12,98%), 2º grau (12,56%) e universidades (12,04%). Dentre os serviços de Educação, o grupo que mais subiu no período avaliado pelo departamento foi o Cursos Universitários (124,32%). Aumentos expressivos também foram praticados nas escolas de 1º e 2º graus respectivamente 94,06% e 93,82% - enquanto a pré-escola (70,48%) apresentou variação inferior ao índice geral. Foram consultadas pelo Dieese para elaborar o levantamento mais de 50 instituições de ensino na capital, incluindo escolas de ensino médio e fundamental, pré-escolas e universidades. Segundo o Departamento, os gastos com educação representam 6,3% do orçamento doméstico.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.