Escolha de senador deve atrasar agenda da reforma tributária

Cenário: Lu Aiko Otta

O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2011 | 03h07

Se alguma esperança havia de avanço na agenda de reforma tributária do governo ainda este ano, ela foi sepultada esta semana, com a escolha do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) para relatar o projeto de resolução do Senado que acabaria com incentivos fiscais dados por alguns Estados para as importações. O Espírito Santo é justamente um dos que mais se beneficia dessa prática.

Encarregado de coordenar a reforma, o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, esperava ver a resolução aprovada ainda este ano. Nas mãos de Ferraço, porém, a discussão promete ser demorada. "Certamente vai ficar para o ano que vem", disse o senador.

O trânsito de produtos importados gera 100 mil empregos no Espírito Santo e responde por um terço da arrecadação do Estado. "Quero entender as premissas que levam o governo federal a defender essa proposta", informou. "Tenho estudos econômicos que contrariam as teses do governo federal." Ferraço concorda que as importações, de fato, aumentaram nos últimos anos. Mas, segundo sustenta, os incentivos fiscais estaduais não podem ser apontados como causa desse movimento. O câmbio e o Custo Brasil explicariam muito melhor a invasão de produtos importados no País. Nelson Barbosa disse que vai dialogar com o senador para tentar avançar com a proposta ainda este ano.

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