Escritório da OAS na Guiné é atacado

Empresa acabou envolvida em protestos violentos contra os cortes de energia no país

CONACRI, GUINÉ, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2014 | 02h08

Pelo menos uma pessoa morreu e seis outras ficaram feridas ontem em Conacri, capital da Guiné, na costa oeste da África, quando protestos contra os frequentes cortes de energia na região se tornaram violentos e o escritório da empresa brasileira OAS foi atacado pelos manifestantes, disseram testemunhas.

Os protestos são causados pela crescente frustração dos guineanos com a falta de desenvolvimento em seu país, que apesar da riqueza mineral permanece imerso em pobreza após décadas de desordem política.

As forças de segurança em torno do bairro de Lansanayah atiraram gás lacrimogêneo e bateram em manifestantes com cassetetes, de acordo com o relato de moradores - alguns dos quais afirmaram ter escutado o disparo de tiros.

"Um jovem morreu após ser atingido por um veículo (pertencente às forças de segurança). Eu vi o corpo", disse o morador Aissatou Diallo.

Algumas pessoas em meio à multidão atacaram o escritório local da construtora brasileira OAS, que está envolvida em uma série de projetos de obras públicas.

Não ficou claro por que a companhia foi escolhida como alvo dos protestos. 

Ninguém estava disponível para comentar na OAS em Conacri, mas um diplomata estrangeiro, que pediu para não ser identificado, disse que um dos empregados locais da empresa ficou ferido.

O porta-voz do governo, Damantang Albert Camara, confirmou a morte de um manifestante, mas não soube dizer se um veículo das forças de segurança estaria envolvido.

Procurada pelo Estado no Brasil, a OAS informou "que todos seus colaboradores estão bem". "O evento ocorrido não guarda qualquer relação com as obras realizadas pela empresa", afirmou a empresa em nota.

As eleições legislativas no final do ano passado completaram a transição de volta a um governo civil após o golpe militar de 2008.

O presidente Alpha Conde sofre grande pressão para realizar mudanças concretas antes da próxima eleição presidencial em 2015.

Apagões. Os cortes de energia em vários bairros de Conacri nas últimas semanas têm revoltado os moradores.

A população está carente dos serviços sociais mais básicos e a infraestrutura do país precisa de melhorias urgentes, afirmam os moradores.

O plano do governo para melhorar a produção de eletricidade tem sido prejudicado pelos problemas em conectar uma planta geradora de 100 megawatts de capacidade instalada em Tombo à rede de energia da Guiné. / REUTERS

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