Escritório inglês avaliará se governo apóia operação CSN-Corus

O governo brasileiro contratará um escritório inglês de advocacia para avaliar se dará ou não apoio à operação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a anglo-holandesa Corus. A decisão foi tomada pela diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para definir se a operação em andamento é uma "fusão" entre as duas siderúrgicas ou se é uma "compra" da empresa brasileira pela multinacional. O BNDES optou por consultar um escritório inglês porque, como a operação foi fechada na Inglaterra, o banco quer saber como o direito inglês avalia o negócio.Além disso, poder evitar controvérsias, já que há fortes grupos brasileiros que têm manifestado restrições à operação. Conforme apurou a Agência Estado, a Companhia Vale do Rio Doce e o grupo Gerdau já fizeram chegar à diretoria do banco que não vêem a operação com bons olhos. O acordo entre as duas siderúrgicas prevê que o grupo brasileiro deterá 37,6% da nova empresa CSN-Corus, sendo o maior acionista individual. A sede da companhia, porém, será em Londres, o que está levando alguns analistas brasileiros a interpretar a operação como sendo de compra da CSN pela Corus, ao contrário do que o presidente da siderúrgica brasileira, Benjamin Steinbruch, tem afirmado. O empresário esteve pessoalmente com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, no último sábado, em São Paulo, para explicar a operação, e tem declarado que confia no apoio do governo brasileiro. A operação foi anunciada no dia 17 de julho e os grupos pediram prazo de 120 dias para concluir o negócio. O BNDES espera ter o parecer do escritório inglês antes desse prazo. Na próxima quinta-feira, a Corus divulgará o balanço referente aos primeiros seis meses de 2002, o que é considerado importante para o andamento do negócio. A siderúrgica inglesa apresentou prejuízos nos dois últimos exercícios e a empresa passa por processo de reestruturação, com a previsão de demitir 4 mil dos seus 52,7 mil funcionários até 2004 (a CSN tem 25 mil funcionários). Em 2000 o prejuízo da Corus somou 419 milhões de libras esterlinas (US$ 650 milhões) e em 2001 as perdas quase duplicaram, atingindo 940 milhões de libras (US$ 1,5 bilhão). A siderúrgica brasileira vinha apresentando resultados positivos até o ano passado, mas nos primeiros seis meses do ano contabilizou prejuízo de US$ 143 milhões. Mantido esse quadro, as duas empresas poderão ter dificuldades para manter a agressiva política de distribuição de dividendos dos últimos anos. Esses dividendos são fundamentais para que o grupo Vicunha, controlador da CSN, possa honrar os compromissos assumidos para a compra do controle da maior siderúrgica brasileira. A avaliação dos executivos das duas empresas é que a fusão de operações viabilizará a redução de custos e melhoria dos resultados financeiros, especialmente pelo uso do minério de ferro da mina Casa de Pedra, da CSN. A utilização desse minério pela Corus é contestada pela Vale do Rio Doce, que tem acordo de exclusividade com a siderúrgica brasileira para a comercialização do que excede ao consumo próprio da CSN. A alegação a CSN é que as duas empresas passarão a ser um único grupo, o que lhes franquearia o acesso ao minério de Casa de Pedra. Os acionistas da Corus dão sinais de que não estão otimistas quanto ao futuro da empresa no curto prazo. Desde o anúncio da operação as ações da siderúrgica inglesa caíram 34% nas bolsas internacionais. Nesse mesmo intervalo as ações da CSN caíram 22%, em dólares, basicamente pela valorização da moeda norte-americana em relação ao real.

Agencia Estado,

06 de setembro de 2002 | 19h54

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