Escrivão escolhe conta que vai pagar

O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 05h00

Na casa de Leonel Radde, de 35 anos, a ordem é reduzir os gastos ao máximo. A internet foi cortada e o uso do telefone, reduzido. Mesmo assim, ele tem enfrentado dificuldade para pagar as contas. Casado com uma professora da rede estadual, que também está sofrendo com o parcelamento de salários no RS, o escrivão da Polícia Civil admite que é forçado a fazer opções na hora de administrar as finanças da família.

“Chega dia 10 e eu tenho que escolher o que pagar”, revela Radde, que mora em Porto Alegre com a família. A prioridade é manter em dia a escola da filha adolescente e a mensalidade do mestrado que ele cursa numa universidade particular. “Tenho recorrido a empréstimos. Então tem os juros do empréstimo e os juros das contas que você não está pagando. Às vezes tenho que recorrer a parentes.”

Para amenizar o problema, a esposa de Radde reduziu a carga horária na rede estadual e conseguiu um emprego numa escola particular. “Temos consciência de que o Estado está perdendo pessoas qualificadas em todas as áreas de atuação.” Segundo ele, os policiais, hoje, estão “trabalhando basicamente só por vocação” no RS.

Para Radde, pior do que ter o salário parcelado é o fato de o mecanismo não ter previsibilidade. “A gente não consegue se programar porque vai recebendo pingado e sem saber quando”, lamenta. “Preferia ter certeza de que teria o salário parcelado, mas saber com antecedência como isso ocorreria.” / G.L.

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