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Espanha adia para 2016 redução do déficit fiscal

Anúncio foi feito na apresentação do Programa Nacional de Reforma e Estabilidade que reduziu as expectativas de crescimento para este ano

MADRI, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2013 | 02h07

O governo da Espanha anunciou que vai adiar os esforços para reduzir o déficit orçamentário do país abaixo de 3,0% do Produto Interno Bruto (PIB), como determinado pelo Tratado de Maastricht, até 2016, enquanto lida com uma economia em contração e com o aumento do desemprego.

Ao apresentar o Programa Nacional de Reforma e Estabilidade, o governo confirmou projeção de que a economia do país terá contração de 1,3% neste ano e crescerá 0,5% em 2014. Anteriormente, a expectativa era de retração de 0,5% neste ano e crescimento de 1,2% em 2014.

O governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy espera que o déficit orçamentário diminua para 6,3% do PIB este ano e caia a menos de 3,0% apenas em 2016. O Programa de Estabilidade prevê déficits de 5,5% em 2014; 4,1% em 2015; e 2,7% em 2016.

"O governo modificou as previsões de crescimento em linha com as projeções de analistas internacionais", declarou o ministro de Finanças, Luis de Guindos, em entrevista. As novas projeções são "muito conservadoras e prudentes", disse o ministro, acrescentando que elas pretendem inspirar credibilidade e confiança. No mesmo evento, a vice-primeira-ministra, Saenz de Santamaría, afirmou que o governo não prevê aumento no imposto de renda nem no imposto sobre valor agregado (IVA).

A Comissão Europeia aprovou o plano do governo espanhol. "O adiamento da correção do déficit excessivo da Espanha para 2016 é consistente com a atual análise técnica da Comissão sobre o que seria um caminho de consolidação fiscal equilibrado, mas ambicioso, dadas as dificuldades do cenário econômico", afirmou o braço executivo da União Europeia, em comunicado.

A Comissão vai agora analisar os detalhes do plano espanhol e apresentar suas conclusões e recomendações em 29 de maio. "É crucial que o caminho fiscal do Programa de Estabilidade seja baseado em noções macroeconômicas prudentes e quantidade suficiente de medidas estruturais de alta qualidade. Nossa avaliação sobre isso será divulgada em 29 de maio", diz o comunicado.

O programa recebeu também o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI). A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, afirmou em um comunicado apoiar "fortemente" os objetivos do governo da Espanha de restaurar uma posição fiscal sólida e ao mesmo tempo garantir a recuperação econômica e a criação de empregos. "O anúncio feito hoje (ontem) de buscar um caminho de consolidação mais gradual é um passo bem-vindo em direção ao cumprimento dessas metas, somando-se às grandes reformas e às melhoras fiscais estruturais do ano passado", declarou Lagarde. A autoridade se disse "ansiosa para discutir as medidas que sustentam a nova estratégia" na próxima missão do FMI destinada à Espanha, programada para o início de junho.

As novas estimativas econômicas apresentadas pela Espanha também calculam que a relação entre a dívida e o PIB da Espanha ficará abaixo de 100% em 2016, a uma taxa de 99,8%, e que o desemprego no país cairá para menos de 25% em 2015. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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