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Espanha admite 'extrema fragilidade'

Ministro da Economia faz declaração ao defender austeridade; juros cobrados sobre dívida espanhola voltaram a subir ontem

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h12

Os juros cobrados para compra de títulos da dívida pública voltaram a saltar ontem na Espanha, durante uma nova operação de venda realizada pelo Tesouro de Madri, no total de € 1,9 bilhão. A rentabilidade exigida por obrigações com três e de seis meses de validade quase dobrou.

A tensão aumentou ainda mais quando o ministro de Finanças, Cristóbal Montoro, saiu em defesa da política de austeridade do governo de Mariano Rajoy afirmando que o país está em "um momento de extrema fragilidade". Apesar das más notícias, as bolsas de valores subiram ontem, um dia depois do efeito "Holanda-Hollande", que atingiu os mercados na segunda-feira.

A nova advertência dos investidores sobre a dívida da Espanha foi enviada pela manhã, quando o governo Rajoy buscou € 1,93 bilhão vendendo bônus. Para refinanciar € 720 milhões em obrigações com validade de três meses, os juros cobrados foram de 0,634%, contra 0,381% em março. Já na operação de refinanciamento de € 1,21 bilhão em títulos com maturidade de seis meses, o rendimento exigido foi de 1,58%, contra 0,836% no mês passado. A boa notícia é de que houve forte demanda por parte dos investidores, de € 9,4 bilhões.

Falando ao Parlamento, onde defendeu a adoção do orçamento de 2012 - no qual o governo de Rajoy previu uma política de austeridade histórica -, Montoro deu a tônica da gravidade da crise por que Madri atravessa. "Trata-se de um momento extraordinariamente delicado para o país", admitiu. "Este orçamento visa a trazer de volta a confiança na sociedade espanhola, a confiança de nossos parceiros europeus na Espanha e a confiança dos mercados."

Diante da pressão no mercado de dívidas soberanas e das declarações de Montoro, o índice Ibex 35 da bolsa de valores de Madri caiu a seu nível mais baixo em três anos ao longo do dia, antes de se recuperar durante a sessão e fechar em alta de 2,24%, seguindo a tendência internacional. Outras praças da Europa também fecharam no positivo, como Londres, alta de 0,78%, e Frankfurt, que avançou 1,03%.

Holanda-Holandde. Na véspera, as bolsas de valores haviam caído mais de 3%, caso de Paris, diante das notícias vindas da Holanda, que viveu a renúncia do governo do primeiro-ministro, Mark Rutte, depois que sua coalizão implodiu, dividida pela votação de um novo plano de rigor. Na França, a vitória do socialista François Hollande frente a Nicolas Sarkozy no primeiro turno das eleições ao Palácio do Eliseu também teria causado preocupação nos mercados.

Entretanto, para a economista Jézabel Couppey-Soubeyran, especialista em bancos e sistema financeiro da Universidade de Paris I - Sorbonne, de Paris, a tensão nos mercados tem mais a ver com a crise da Europa, que ainda não passou, do que com as notícias vindas de Paris e Amsterdã.

"Os mercados já tinham antecipado o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais na França e sabiam que Nicolas Sarkozy não teria o primeiro lugar", disse ao Estado. "O que há na Europa e nos mercados é uma conjuntura degradada, e que não dá sinais de retomada consistente. É essa instabilidade que perturba os investidores."

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