Espanha admite necessidade de socorro

Possibilidade faz parte dos cenários do novo governo, que assume no fim de dezembro

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h07

Durante meses, o candidato à presidência na Espanha, Mariano Rajoy, insistiu que bastava um governo competente para recolocar o país de volta no caminho do crescimento. Mas, nem bem completada uma semana de sua vitória nas eleições, seus aliados e pessoas próximas a ele já admitem: Madri estuda a possibilidade de pedir uma ajuda internacional para garantir que não entrará em colapso.

A quarta maior economia da zona do euro vem enfrentando duros golpes do mercado e sendo obrigada a pagar taxas de juros por sua dívida bem acima do que é considerado sustentável. Temores em Madri são de que isso na prática fechará as torneiras internacionais de crédito que permitem à Espanha financiar sua dívida. No próximo ano, o país precisará encontrar mais de 110 bilhões para honrar suas dívidas.

Ontem, a agência Reuters foi a primeira a revelar que o Partido Popular, de Rajoy, estaria considerando solicitar a ajuda para conseguir se financiar. A assessoria de imprensa do partido acabou confirmando que a possibilidade faz parte dos cenários que o novo governo está montando para o momento que assumir o poder, no fim de dezembro.

Os dias que se seguiram às eleições e à derrota humilhante do partido socialista não foram de tranquilidade para a Espanha. A bolsa acumulou perda de quase 7% na semana e 22% desde janeiro, a taxa de risco bateu recordes, um banco quebrou e governos locais começaram a reduzir salários e fazer demissões.

No dia 7, Rajoy apresentará seu plano de cortes de gastos aos sócios da Alemanha e da França. Mas vai insistir que, sozinho, já não tem como socorrer a economia. Em 2012, a Espanha volta a cair em uma recessão, o que deve ser seguido por uma redução na arrecadação do Estado.

No PP, a esperança é de que não haja necessidade para um resgate da UE e do FMI, nos moldes que Portugal, Irlanda e Grécia já tiveram. Mas não negam que o assunto está sobre a mesa.

Resgate impraticável. Muitos economistas na Espanha alegam que um resgate seria impraticável. Isso porque seriam necessários mais de 700 bilhões, dinheiro que a UE hoje não tem. Uma opção seria encontrar uma alternativa, com o uso mais frequente do Banco Central Europeu intervindo e ajudando a reduzir a taxa de risco da Espanha.

O instrumento foi amplamente usados nos últimos dias. Mas a Alemanha já deixou claro que é totalmente contra essa opção. Outra opção seria o uso de linhas de crédito do FMI. Mas a opção pode ser insuficiente.

Não é a primeira vez que os aliados de Rajoy apontam para o socorro internacional como uma opção para tirar o país da crise. Na segunda-feira, ao conversar pelo telefone com a chanceler Angela Merkel, Rajoy deixou claro que quer contar com a ajuda financeira da UE e acredita que os países que estão fazendo esforços suficientes de redução do déficit sejam premiados com recursos.

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