Espanha ainda não saiu da crise, diz Rajoy

Primeiro-ministro prevê expansão anual de 0,1% a 0,2% do PIB no terceiro trimestre e diz que país saiu da recessão, mas ainda enfrenta o desemprego

Dow Jones Newswires, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2013 | 02h08

MADRI - O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, disse ontem que o país emergiu de dois anos de recessão, mas enfrenta um longo período de austeridade e dolorosos ajustes antes de recuperar seu ritmo e recolocar a maior parte de seus 6 milhões de desempregados no mercado de trabalho. "A Espanha saiu da recessão, mas não da crise", disse Rajoy em entrevista ao 'The Wall Street Journal'.

Segundo o premiê espanhol, o PIB do país deverá mostrar expansão modesta de 0,1% a 0,2% no terceiro trimestre deste ano em bases anualizadas, fornecendo a primeira confirmação oficial de retomada do crescimento na Espanha. Em bases trimestrais ante o segundo trimestre, essa taxa representa expansão de 0,4% a 0,8% do PIB.

Em 2014, segundo ele, a economia espanhola crescerá ao ritmo modesto de 0,5% a 1%, e será capaz de começar a criar empregos em bases sustentáveis. "Eu não ouso especular", acrescentou, sobre quanto tempo vai levar para o país reduzir a taxa de desemprego atual, de 26,3%. "A missão agora é alcançar uma recuperação vigorosa que nos permita criar empregos."

Rajoy disse que sua receita para a economia está funcionando e "as coisas estão num bom caminho". Os custos do trabalho diminuíram, as exportações estão em alta e o déficit em conta corrente, que já foi de 10% do PIB enquanto o país viveu um boom imobiliário, tornou-se um superávit. Ele reconheceu, no entanto, que uma recuperação real não ocorrerá até que os espanhóis comecem a gastar mais, que os preços de moradias cheguem ao fundo do poço e a dívida externa se estabilize.

O sistema bancário espanhol, disse o premiê, "está mais transparente, mais solvente e mais bem capitalizado" desde que recebeu 41,3 bilhões da União Europeia no verão do ano passado. Agora, Rajoy espera para novembro uma avaliação da UE e outros credores, mas frisou: "Se você me perguntasse hoje, eu diria que a Espanha não precisará prorrogar o programa de resgate até 2014."

PMI. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto - que abrange tanto o setor de serviços quanto a indústria - da zona do euro atingiu em setembro o nível mais alto em 27 meses, sinalizando a expansão mais forte na atividade desde junho de 2011, segundo dados preliminares da Markit. A leitura do PMI composto de setembro ficou em 52,1, de 51,5 em agosto. A previsão de analistas consultados pela Dow Jones era de 51,9.

O PMI de serviços da zona do euro avançou para 52,1 em setembro, de 50,7 em agosto, e também chegou ao nível mais alto em 27 meses. A previsão era de 51,1. Já o PMI industrial caiu para 51,1 em setembro, de 51,4 em agosto, no nível mais baixo em dois meses. A previsão era de 51,8.

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