Espanha aprova pacote de austeridade

Medidas, antes anunciadas por Zapatero, passaram por conselho extraordinário de ministros; mercado não reage e fecha em queda

MADRI, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2010 | 00h00

Depois de Grécia, Portugal e Reino Unido, ontem foi a vez da Espanha anunciar um pacote de medidas de austeridade para conter o déficit público. No entanto, mais uma vez, os mercados não sentiram confiança de que essas medidas possam ter algum efeito para conter a crise da Europa e fecharam outro dia em queda.

O pacote espanhol já tinha sido anunciado dia 12 pelo primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero e foi aprovado ontem por um conselho extraordinário de ministros.

O governo espanhol vai cortar o salário dos funcionários públicos entre 0,56% e 7%. No caso dos diretores gerais, chegará a 8% e no de secretários de Estado, 10%. As medidas inclui congelamento das pensões em 2011, que deve resultar em economia de 1,53 bilhão (US$ 1,882 bilhão). Em entrevista coletiva após o conselho de ministros, a primeira- vice-presidente, María Teresa Fernández de la Vega, mostrou a confiança do governo de encontrar compreensão na cidadania durante a adoção das medidas. Já a segunda vice-presidente e também ministra da Economia, Elena Salgado, que participou da mesma entrevista, anunciou que os cortes obrigaram o governo a diminuir em 0,5 ponto a previsão de crescimento econômico em 2011, para 1,3%.

Com o pacote, a Espanha espera economizar 15,25 bilhões entre 2010 e 2011. Em 2010, a redução do déficit prevista é de 5,25 bilhões, enquanto em 2011 será de 10 bilhões. Elena Salgado disse que, com o corte de salários dos empregados públicos, se poupará 2,3 bilhões de euros este ano e outros 2,2 bilhões em 2011.

A uma pergunta sobre a possibilidade de elevar os impostos às pessoas de renda mais alta, anunciado antes por Zapatero, a ministra disse que "não há uma proposta concreta" e que a medida correspondente será anunciada no "momento oportuno".

O corte nos salários, que foi fortemente rejeitado pelos sindicatos, levou os funcionários públicos a iniciar ontem uma série de mobilizações de protesto em todo o país. Os sindicatos ameaçam, além disso, convocar uma greve geral.

As principais bolsas tiveram desempenho negativo mais uma vez ontem. Nos Estados Unidos, o Índice Dow Jones tombou 3,6% e o Nasdaq, 4,11% .

Na Europa, o índice britânico FTSE encerrou o dia com baixa de 1,65%; em Paris, o CAC caiu 2,25%; na Alemanha, o DAX recuou 2,02%; e, em Madri, o IBEX caiu 1,13% . No Brasil, o Ibovespa recuou 2,51%. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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