Espanha, Argentina e México fecham acordo sobre YPF

Entendimento é o primeiro passo para a definição do valor que o governo pagará à companhia espanhola expropriada em abril de 2012

Ariel Palacios, correspondente,

26 de novembro de 2013 | 05h40

BUENOS AIRES - O governo da presidente Cristina Kirchner conseguiu um entendimento com a empresa petrolífera Repsol sobre a expropriação da companhia YPF.

Este princípio de acordo pretende ser o primeiro passo para definir a indenização que o governo Kirchner deverá a pagar à companhia espanhola, removida há um ano e meio de sua subsidiária argentina.

Em abril de 2012 a presidente Cristina expropriou 51% das ações da YPF, que estavam em mãos da Repsol.

Segundo o ministério da Economia, "o princípio de acordo implicará em fixar a quantia da compensação e seu pagamento com ativos líquidos".

Além disso, a Repsol comprometeria-se a desistir dos processos nos tribunais internacionais que realiza contra o governo Kirchner. O governo argentino, até este entendimento, alardeava que não pagaria aos espanhóis.

Os analistas em Buenos Aires indicavam ontem que o anúncio de entendimento seria o sinal da necessidade do governo Kirchner de tentar encerrar vários frentes de batalha jurídicas internacionais.

Esta mudança de postura coincide com o desembarque de Axel Kicillof no comando do ministério da Economia.

No momento da expropriação, em abril do ano passado, a empresa tinha um valor de mercado de US$ 8 bilhões. Três meses antes da expropriação, quando começaram os rumoes sobre sua eventual reestatização, a empresa valia o dobro. Até a retomada das negociações, a Repsol exigia o pagamento de US$ 10 bilhões como indenização.

Mas, com esta nova fase, segundo informações extraoficiais, os espanhóis estavam contentando-se com US$ 5 bilhões.

No ano passado, em ocasião da expropriação da YPF a presidente Cristina afirmou, em um exaltado discurso, que a Argentina recuperava a "soberania energética", já que passava a controlar a maioria da empresa petrolífera, com mais da metade das ações.

A YPF, desta forma, embora se transformasse em uma empresa mista (já que uma minoria das açõesestá em mãos de investidores americanos), era apresentada como umavirtual estatal.

Investidores.  Mas, nos últimos meses, devido aos problemas constantes na produção de gás e petróleo e ao déficit energético, a presidente Cristina Kirchner tentou atrair empresas dos países vizinhos aliados, como a PDVSA e a Petrobrás. No entanto, fracassou.

A partir dali, a estratégia foi a de deixar de lado as práticas nacionalistas (embora odiscurso continue nesse tom) e tentou convencer a Exxo e a Chevron a investir na YPF. Depois de meses de negociações, Cristina - para horrorda ala esquerda do kirchnerismo - conseguiu fechar um acordo com a americana Chevron para explorar a jazida de shale gas de "Vaca Muerta".

A íntegra do acordo jamais foi divulgada, já que conta com cláusulas "secretas". A jazida, descoberta no ano anterior à expropriação, é uma das maiores do mundo e teria despertado a cobiça da presidente Cristina, que quis que essa área fosse de uma empresa argentina. Ou, neste caso, da expropriada YPF.

Privatizada e reestatizada. A companhia petrolífera YPF foi fundada em 1922. Estatal durante 70 anos, foi privatizada em 1992 ficando na mão de empresários argentinos, além de uma participação de 20% do Estado nacional.

A privatização foi respaldada calorosamente por Cristina Kirchner, que na época era parlamentar. Mas, em 1999 a empresa foi vendida à espanhola Repsol, removida dali no ano passado.

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