Espanha e Grécia derrubam bolsas

Mercado está sob pressão depois de o país ibérico ter revisado projeções para o PIB

LONDRES, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2012 | 03h05

As bolsas europeias tiveram mais um pregão de fortes baixas ontem, influenciadas por incertezas em relação à situação da Grécia e temores de que a Espanha como um todo, e não apenas seu setor bancário, possa precisar de um pacote de ajuda.

O índice Stoxx Europe 600 recuou 2,5% e encerrou o pregão aos 251,75 pontos, depois de perder 1,4% na sessão anterior.

As ações na Europa estão sob pressão desde a semana passada, quando a Espanha revisou para baixo suas projeções de crescimento para 2013 e 2014 e a região de Valência anunciou que vai buscar ajuda do governo federal para refinanciar sua dívida.

No fim de semana, a notícia de que, além de Valência, outras seis regiões estão perto de pedir ajuda fez ontem o yield (retorno ao investidor) dos bônus espanhóis de 10 anos atingir 7,59% no início da tarde - a maior taxa desde a criação do euro - para depois ficar em 7,43%.

Ainda ontem, o ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, descartou que o país pode precisar de um resgate total após uma ajuda de até 100 bilhões ao setor bancário.

Questionado sobre essa possibilidade no intervalo de uma audiência do Congresso sobre a ajuda europeia aos bancos espanhóis, De Guindos afirmou: "Absolutamente não".

Guindos visitará Berlim hoje para negociações com o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, afirmou a porta-voz do Ministério alemão Marianne Kothe.

Na Itália, os negócios com grandes bancos ficaram suspensos por cerca de uma hora depois de a Consob, órgão regulador do mercado de capitais do país, proibir vendas a descoberto de ações financeiras durante toda a semana. Uma determinação semelhante foi anunciada na Espanha, que ontem pela primeira vez baniu vendas a descoberto de todos os tipos de ações.

"É possível que estejamos entrando no período que determinará o futuro da zona do euro", disse Gary Jenkins, diretor-gerente da Swordfish Research. "Na sexta-feira, pareceu que o mercado desistiu da Espanha."

Tragédia grega continua. A Grécia também voltou a preocupar os investidores após a revista alemã Der Spiegel publicar que o Fundo Monetário Internacional (FMI) suspenderia a ajuda financeira para Atenas, causando temores de que o país fique insolvente e seja obrigado a deixar a zona do euro. A informação foi refutada ontem pelo Fundo.

"Estamos dando suporte à Grécia para superar suas dificuldades econômicas", disse um porta-voz do FMI, em resposta à Der Spiegel. "Uma missão do Fundo Monetário Internacional iniciará as discussões com as autoridades do país em 24 de julho (hoje) sobre como colocar o programa econômico da Grécia, que tem a assistência financeira do FMI, de volta aos trilhos", completou.

O Fundo integra a "troica" de credores internacionais, com a Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) e o Banco Central Europeu (BCE), que se reunirá com o novo governo grego, do primeiro-ministro Antonis Samaras, para revisar o programa de resgate de 130 bilhões.

Mercado. Apesar de a Espanha estar no centro do furacão, o índice Ibex-35 teve ontem a menor queda relativa entre as principais praças europeias. A maior queda foi do índice Dax, de Frankfurt, que perdeu 3,18%. Em Londres, o índice FTSE-100 caiu 2,09%, e o índice CAC-40, de Paris, encerrou com baixa de 2,89%. Entre as bolsas menores, a de Atenas tombou 7,1%.

No Brasil, o Ibovespa sentiu os efeitos do mercado externo e encerrou o pregão com queda de 2,14%. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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