Espanha e Grécia elevam a busca por segurança no dólar

Cenário: Silvana Rocha

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h08

Omercado de câmbio doméstico voltou a registrar fraca volatilidade do dólar, em meio a um giro financeiro consistente ontem. Mesmo com o Banco Central fora dos negócios pela sétima sessão consecutiva, o dólar à vista oscilou com sinal positivo o dia todo em relação ao real e subiu para o patamar de R$ 2,03 no balcão - após fechar dentro do nível de R$ 2,02 ou levemente abaixo dele nas 12 sessões anteriores. O fluxo comercial mais movimentado e negativo no mercado à vista ontem - decorrente de uma demanda de importadores superior à oferta dos exportadores - combinado com o acirramento da tensão dos investidores com a Espanha e a Grécia ampararam a valorização da moeda norte-americana no exterior e também aqui. O dado de venda de moradias nos Estados Unidos adicionou pressão sobre a divisa dos EUA lá fora, ao mostrar um recuo de 0,3% em agosto, ante a expectativa de alta de 2,2%.

O dólar à vista fechou em alta, pela quarta sessão consecutiva, de 0,25%, a R$ 2,0350 no balcão. O giro financeiro total (balcão e spot BM&F) manteve-se firme, em cerca de US$ 2,709 bilhões, graças ao fluxo cambial consistente e as operações de caixa de tesourarias de instituições financeiras.

A Bovespa, também sob influência do ambiente internacional, operou em queda, mas conseguiu segurar o nível dos 60 mil pontos. No fechamento, o Ibovespa marcava 60.478,05 pontos, com leve queda de 0,04%. A incerteza sobre o impacto de juros mais baixos para cartões de crédito sobre o resultado das instituições financeiras prossegue afetando o desempenho dos papéis de bancos na Bolsa, ainda que o declínio apresentado ontem tenha sido mais brando do que no dia anterior.

No mercado de juros futuros, diante da piora externa, as taxas dos contratos de DI apresentaram leve queda em grande parte do dia, mas finalizaram a quarta-feira perto dos níveis do ajuste da véspera, embora ainda com viés baixista nos vencimentos mais longos. Ontem, o Banco Central apresentou os dados de crédito em agosto, assim como foram divulgados novos indicadores sinalizando retomada da atividade, mas os investidores em renda fixa evitaram movimentações significativas com a aproximação da divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, hoje. Assim, a taxa projetada para janeiro de 2013 ficou em 7,26%, nivelada ao ajuste anterior. A taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 marcou 7,73%, também idêntica à da véspera. Entre os longos, o juro para janeiro de 2017 indicou 9,11%, de 9,13% na véspera.

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