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Espanha e Irlanda dispensam ajuda

Economia melhora e permite que os dois países cancelem a ajuda financeira da União Europeia e voltem a se autofinanciar

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS , O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2013 | 02h14

Dois países atingidos em cheio pela crise da zona do euro, a Irlanda e a Espanha sairão da tutela financeira da União Europeia. O anúncio foi feito em Bruxelas no final da noite de quinta-feira por Jeroen Dijsselbloem, coordenador do Eurogrupo, o fórum de ministros de Finanças da Europa.

A partir de 15 de dezembro, os irlandeses não vão mais usar recursos internacionais para reequilibrar suas finanças, retomando sua soberania econômica. Já os espanhóis abandonarão o plano de socorro em janeiro.

A decisão foi a mais importante da reunião do Eurogrupo. O melhor caso de sucesso é o da Irlanda, que recebeu um programa de resgate de € 85 bilhões há três anos. No encontro, o ministro das Finanças, Enda Kenny, informou seus colegas europeus que o país renunciaria à linha de crédito "de precaução" oferecida pela União Europeia, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), retornando ao autofinanciamento.

Ao longo de seu programa de reformas, a Irlanda reorganizou seu sistema financeiro e diminuiu o tamanho do Estado, sem, porém, atender à principal reivindicação da UE: extinguir o imposto de 12% que atraiu ao país grandes conglomerados como Google ou Apple. Além disso, três anos após o socorro o governo irlandês já retornou aos mercados financeiros, vendendo títulos da dívida soberana com juros razoáveis - 3,5%, taxa inferior à cobrada da Itália, da Espanha e do Brasil, por exemplo -, e soma reservas suficientes para garantir sua solvência até o início de 2015, se necessário. "Também estamos aptos a acessar os € 500 bilhões do Mecanismo Europeu de Estabilidade", lembrou o ministro, referindo-se à versão de FMI criada por Bruxelas durante a crise.

Outro caso emblemático, mas menos brilhante, é o da Espanha, que havia utilizado até aqui um total de € 41 bilhões em recursos europeus para socorrer seu sistema financeiro, à beira da falência. "A situação do setor bancário espanhol melhorou significativamente", confirmou o Eurogrupo, em nota.

Ao término da reunião, Jeroen Dijsselbloem elogiou os dois países pela saída da UTI financeira em que estavam. "Irlandeses e espanhóis passaram por um período difícil, mas tenho confiança de que seus esforços foram recompensados", disse ele.

A melhoria do quadro na Irlanda e na Espanha também é sinal da redução da pressão nos mercados financeiros sobre toda a União Europeia - mas não significa o fim da crise. Na Irlanda, o crescimento de 0,2% previsto para 2014 é inferior aos 2% a 3% necessários para que as dívidas do país, equivalentes a 120% do Produto Interno Bruto (PIB), seja solvente. Além disso, o desemprego, de 13%, continua um problema grave. Na Espanha a situação da dívida é melhor, 92,2% do PIB, mas a crise social é pior, com 25,98% de desempregados.

Além disso, o paciente mais enfermo da UE, a Grécia, ainda não saiu da UTI. Primeira socorrida pelo pacote de recursos externos, em maio de 2010, e única a receber um segundo resgate, Atenas vai continuar sob a batuta europeia. O objetivo é que o país chegue ao equilíbrio nas contas entre 2014 e 2015, o que lhe permitirá enfrentar melhor a dívida, que em 2020 ainda será de 127% do PIB.

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