Espanha é pressionada a pedir resgate

Merkel e G-20 querem formalização de socorro, mas Rajoy vai esperar pelos resultados amanhã dos testes de estresse dos bancos

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h05

A Espanha paga a maior taxa de juros para se financiar dos últimos 15 anos e é pressionada pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e pelo G-20 para que formalize imediatamente um pedido de resgate, na esperança de acalmar os mercados.

No México, onde participa da cúpula do G-20, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, disse que vai esperar pelos resultados dos testes de estresse dos bancos espanhóis antes de fazer um pedido de ajuda financeira à União Europeia. "Eles (líderes do G-20) declararam apoio aos pilares de nosso plano de reformas econômicas", afirmou Rajoy durante coletiva depois da conclusão da cúpula. Ele também disse que teve uma reunião em separado com o presidente da China, Hu Jintao, e que este teria manifestado apoio ao programa de reformas do governo conservador espanhol.

Segundo Rajoy, o governo espanhol vai esperar pelos resultados dos testes de estresse do sistema bancário do país, conduzidos pelas consultorias Oliver Wyman e Roland Berger Strategy Consultants, antes de apresentar qualquer perdido formal de ajuda. O resultado dos testes deve ser divulgado amanhã. "O que temos de fazer é esperar que os auditores que contratamos nos digam exatamente qual é a quantia que teremos de pedir. Temos interesse de fazer isso o mais rapidamente possível."

Cresce a desconfiança de que os 100 bilhões já prometidos pela UE aos bancos espanhóis não serão suficientes para resgatar a economia do país. Investidores apostam que Madri terá de recorrer a um pacote ainda maior, que também socorra as contas públicas. Segundo o Financial Times, essa ajuda poderia chegar a 500 bilhões.

Diante de mais um dia de turbulência, a taxa de juros que o governo espanhol foi obrigado ontem a pagar na emissão de títulos da dívida revelou que o mercado não está disposto a emprestar dinheiro para a Espanha se financiar, pelo menos não sem uma alta compensação.

Ao colocar no mercado 3 bilhões em títulos da dívida, o governo espanhol foi obrigado a pagar uma taxa de 5,1%, a mais alta em 15 anos e jamais vista desde a criação do euro. O risco país em papéis com maturidade de dez anos continuou a uma taxa acima de 7%, outro recorde. O nível é considerado uma marca na história recente da UE. Grécia, Irlanda e Portugal tiveram de recorrer a um socorro depois de ver a taxa ultrapassar os 7%.

Na prática, a Espanha não tem como continuar a se financiar dessa forma, se a taxa não ceder. "Parece agora inevitável que a Espanha tenha de pedir um resgate soberano e possivelmente logo", apontou a Capital Economics, em nota divulgada para investidores.

Pressão. Há dez dias, o governo de Rajoy anunciou que a Europa estava disposta a liberar até 100 bilhões para socorrer os bancos europeus e insistiu que não seria um resgate tradicional, algo que a própria UE desmentiu. Mas a demora em implementar o resgate deixou o mercado ainda mais nervoso.

O que não ajudou a acalmar os mercados foi a decisão de Rajoy de adiar para setembro uma avaliação mais aprofundada do tamanho do buraco, sem dar explicações. Não por acaso, Merkel usou a reunião do G-20 no México ontem para apelar à Espanha para que "esclareça rapidamente" quanto vai precisar de resgate e que não tarde mais a fazer o pedido.

Rajoy ainda lançou ontem uma ofensiva para tentar convencer os ministros de Finanças da Europa e o G-20 a dar esse dinheiro diretamente aos bancos com problemas. Dessa forma, seu endividamento não aumentaria e ele não ficaria responsável pelo resgate. Os cálculos são de que o empréstimo aumentaria a dívida espanhola em 15%.

Tanto a Europa quanto diversos governos no bloco rejeitaram a proposta, insistindo que é Madri quem deve ficar responsável pelo dinheiro. Ou seja, se um banco receber o dinheiro europeu e acabar quebrando mesmo assim, será o governo espanhol quem terá de assumir a dívida. / COM DOW JONES NEWSWIRES

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