Espanha eleva imposto e corta benefícios de trabalhadores

Com as medidas, o governo pretende economizar 65 bilhões de euros até o fim de 2014

Danielle Chaves, da Agência Estado,

11 de julho de 2012 | 07h30

MADRI - O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, anunciou novas medidas de austeridade no valor total de 65 bilhões de euros. As mudanças serão válidas até o fim de 2014 e têm o objetivo de melhorar as contas fiscais do país. A principal alteração é o aumento do imposto sobre valor agregado (IVA) de 18% para 21% sobre o valor das vendas. Para o IVA reduzido, cobrado sobre alguns produtos, o aumento será de 8% para 10%.

Além disso, haverá uma redução nos benefícios para desempregados e um corte de cerca de 7% nos salários para funcionários estatais. O governo também pretende reformar governos locais para reduzir gastos.

"Estamos tentando nos manter em um caminho que não é fácil, curto ou confortável, mas não podemos evitar isso. É o único caminho que leva para a recuperação", disse Rajoy em discurso no Parlamento.

Rajoy anunciou ainda novos impostos indiretos sobre energia, planos de privatizar portos, aeroportos e ferrovias e a reversão das isenções fiscais que seu partido tinha restaurado em dezembro.

Entretanto, ele não mexeu na aposentadoria - mantendo uma promessa de eleição - e disse que o fardo tributário passa de impostos diretos sobre empregos e receita para taxação sobre o consumo.

Metas


Na segunda-feira os ministros de Finanças da zona do euro, o Eurogrupo, concordaram em afrouxar as metas de déficit orçamentário da Espanha para 6,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, em vez de 5,3%, de 8,9% no ano passado. A meta para 2013 passou para 4,5% e a de 2014 passou para 2,8%.

O anúncio feito pelo governo espanhol nessa quarta-feira levanta dúvidas sobre com que rapidez a economia espanhola conseguirá sair da recessão, já que o país está cortando parte da renda dos trabalhadores, o que desacelera o consumo e, por fim, a atividade econômica.

O governo de Rajoy já implementou medidas de austeridade no valor de mais de 45 bilhões de euros, mas a fraqueza da economia e a diminuição das receitas fiscais têm ameaçado tirar as metas de déficit do alcance.

As informações são da Dow Jones.

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