Espanha envia sinal de alerta à UE antes de cúpula

A Espanha está determinada a manter o acesso ao mercado de financiamento e irá pressionar as instituições europeias a usar as opções disponíveis para estabilizar os mercados financeiros, disse o premiê do país, Mariano Rajoy, mantendo sua postura sobre políticas antes da cúpula da União Europeia (UE).

JULIEN TOYER, REUTERS

27 de junho de 2012 | 08h49

Com a Espanha e o restante dos grandes quatro países da zona do euro sofrendo para diminuir suas diferenças sobre como lidar com a piora da crise da dívida do bloco, Rajoy disse também que lutará para assegurar a ajuda aos bancos do país diretamente e sem status de crédito reforçado dos fundos de resgate da Europa.

Ao falar ao Parlamento antes do encontro de dois dias dos líderes europeus que começa na quinta-feira em Bruxelas, Rajoy afirmou que a Espanha não conseguirá se financiar por muito tempo se os rendimentos dos títulos do país continuarem nos níveis atuais.

"Eu irei propor medidas para estabilizar os mercados financeiros, usando os instrumentos que estão à nossa disposição agora", disse Rajoy, referindo-se a opções de políticas como o programa de compra de ativos e operações de financiamento de longo prazo (LTRO, na sigla em inglês) do Banco Central Europeu (BCE).

Duas operações de empréstimos oferecidos pelo BCE em dezembro e fevereiro injetaram mais de 1 trilhão de euros no sistema financeiro e receberam o crédito de terem evitado os piores efeitos da crise da dívida no final do ano passado e no começo de 2012.

Mas o BCE não tem dado indicações de que está planejando oferecer mais LTROs ou reativar o programa de compra de títulos, colocando, em vez disso, o ônus de dar respostas à crise sobre os governos regionais.

Ciente da necessidade de minimizar o estigma político associado a um resgate após concordar com uma ajuda ao setor bancário de até 100 bilhões de euros, Rajoy afirmou que vai continuar trabalhando para uma recapitalização direta dos bancos espanhóis junto aos fundos europeus.

Isso cortaria o círculo vicioso entre os países endividados e bancos fracos.

"Eu continuarei trabalhando para obter uma recapitalização direta dos bancos e para garantir que a ajuda europeia não supere os direitos de outros detentores de dívida pública", disse Rajoy.

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