Espanha estuda pôr fim à 'Siesta'

Fuso horário também pode sofrer mudanças

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2013 | 02h11

Por mais de 70 anos, poucos na Espanha questionaram o ritmo de seus relógios e deixaram de exaltar o caráter saudável dos hábitos espanhóis. Mas, com a crise econômica, o governo anunciou ontem que vai estudar a possibilidade de modificar os horários para alinhar o país ao fuso horário do Reino Unido e de Portugal. Entre as vítimas pode estar a sobrevivência da tradicional "siesta".

O problema começou em 1942, quando o regime de Franco decidiu se alinhar ao horário da Europa continental, num gesto de aproximação com o governo de Hitler. A mudança enterrava um acordo mundial de 1884, que estabelecia Greenwich como a base para todos os cálculos.

Agora, um informe parlamentar apresentado ontem constatou que, diante do horário adotado e da tradicional "siesta", a produtividade dos espanhóis era muito inferior à dos demais europeus. O documento, apoiado por todos os partidos, pede que o governo estude atrasar os relógios em uma hora, além de promover jornadas de trabalho das 8 às 17, como no resto do continente.

Para especialistas, a alteração nos relógios será apenas parte do esforço de impulsionar a economia. O impacto real só virá quando os hábitos das empresas mudarem, assim como os horários escolares e de programas culturais. Algumas multinacionais já começaram a implementar jornadas sem amplos intervalos no almoço.

A "siesta" passou a ser privilégio de parte da população. "Vivemos com um fuso horário alterado de forma permanente", disse Nuria Chinchilla, diretora do Centro Internacional Trabalho e Família, filiada à escola de negócios Iese, uma das mais reconhecidas na Europa.

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