Espanha não busca ajuda, bancos precisam de 60bi de euros--ministro

A Espanha não se apressará em solicitar auxílio externo para financiar sua dívida, disse o ministro da Economia do país, Luís de Guindos, neste sábado, adicionando que os bancos do país precisam de 60 bilhões de euros para eliminar ativos imobiliários tóxicos de seus portfólios.

JULIEN TOYER, Reuters

22 de setembro de 2012 | 15h44

De Guindos disse que esforços para reduzir o déficit continuarão sendo uma prioridade do governo, que na semana que vem deve apresentar a versão preliminar do projeto orçamentário para 2013, novas reformas estruturais e os resultados de testes de estresse envolvendo seu sistema bancário.

A Espanha está no centro da crise de dívida da zona do euro, que chega agora a seu terceiro ano, e investidores acreditam que seu alto déficit, crescente carga de dívida, setor bancário derrubado pela explosão de uma bolha imobiliária e contração econômica cada vez mais intensa eventualmente levarão o país a buscar mais auxílio externo.

O governo solicitou uma linha de crédito europeia no valor de 100 bilhões de euros em junho com o objetivo de recapitalizar seus bancos em dificuldades. Além disso, o país está envolvido há semanas em negociações a respeito de um programa de compra de bônus adotado pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelos fundos de regate da zona do euro ao qual hesita em recorrer por conta de preocupações com as condições atreladas a ele.

"Isso não diz respeito a resgatar a Espanha, mas a garantir que o projeto do euro como moeda é um projeto para todos. A Espanha fará o que tem de fazer, mas sem pressa", disse De Guindos ao ser questionado sobre a possibilidade de buscar ajuda nos próximos dias.

Mas com crescentes necessidades de financiamento, aproximando-se de grandes cargas de dívida e uma economia que, de acordo com De Guindos, deve contrair por volta de 0,4 por cento no terceiro trimestre deste ano, talvez seja necessário que a Espanha aja mais cedo do que pretende.

Fontes com conhecimento da questão disseram à Reuters que a Espanha estava considerando a possibilidade de adiantar uma elevação planejada na idade da aposentadoria e cancelar um aumento de 3 por cento sobre pagamento de pensões ligado à inflação para cumprir as demandas europeias.

A ministra do Trabalho, Fátima Báñez, disse neste sábado que o governo não planeja adiantar a elevação da idade de aposentadoria de 65 para 67, prevista para ocorrer em 15 anos. Na sexta-feira, o primeiro-ministro Mariano Rajoy disse a jornalistas em Roma que as pensões provavelmente serão revisadas no ano que vem.

TESTES DE ESTRESSE

De Guindos também confirmou que espera que os resultados de um teste de estresse independente do setor bancário espanhol conduzido pela consultoria oliver Wyman esteja em linha com as estimativas preliminares apresentadas em junho, que indicavam necessidade de capital de 60 bilhões de euros.

O montante final pode ser reduzido, já que alguns bancos provavelmente serão capazes de levantar capital por si próprios no mercado, enquanto detentores de instrumentos híbridos de capital sofrem pressão para aceitar um deságio sobre seus investimentos. Ativos também serão transferidos ao chamado "banco ruim", que o governo pretende estabelecer para então se livrar de ativos tóxicos.

Entretanto, não será possível alocar qualquer dinheiro não utilizado da linha de crédito de 100 bilhões de dólares para outros motivos, como financiar o governo, adicionou De Guindos.

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