Espanha pede ajuda para bancos; detalhes virão depois

A Espanha pediu formalmente nesta segunda-feira ajuda europeia para seus bancos, mas não especificou a quantia que precisa para recapitalizar as instituições.

JULIEN TOYER, REUTERS

25 de junho de 2012 | 09h34

Em carta para o presidente do Eurogroup, Jean-Claude Juncker, o ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, disse que gostaria de aceitar a oferta de 100 bilhões de euros da União Europeia (UE), mas disse que a quantia final e as condições da assistência ainda estavam em discussão. Ele espera concluir o pacote até 9 de julho.

De Guindos afirmou que a auditoria independente do setor bancário divulgada na última quinta-feira será usada como ponto de partida para determinar as necessidades de capital, às quais deverá ser adicionada uma quantia de segurança.

A auditoria mostrou que os bancos espanhóis, afetados por uma quebra do mercado imobiliário quatro anos atrás, precisam de até 62 bilhões de euros para evitar um forte declínio econômico.

Analistas dizem que a quarta maior economia da zona do euro, que se tornou o foco da crise da dívida, sofrerá para conseguir sair da recessão, a menos que os problemas bancários sejam resolvidos.

De acordo com fontes financeiras e do governo, quatro bancos nacionalizados -Bankia, CatalunyaCaixa, NovaGalicia e Banco de Valencia- receberão a maior parta da ajuda. Esses bancos podem precisar de uma injeção de dinheiro de aproximadamente 40 bilhões de euros já em julho, dissera as fontes.

O mecanismo de resgate -o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês) ou o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em inglês)- que será usado para alavancar o dinheiro será escolhido num próximo estágio.

Essa questão é importante porque o ESM possui um status devedor de preferência que colocaria detentores de títulos privados no final da fila para receber os pagamentos de seus investimentos.

O fundo de reestruturação bancária da Espanha, conhecido como FROB, irá receber o dinheiro e distribuí-lo aos bancos, de acordo com a carta.

Documentos divulgados na sexta-feira após a auditoria independente mostraram que a Espanha irá realizar outro teste de estresse de seus bancos até outubro, com foco em sete credores que podem não precisar de ajuda neste momento, mas que podem estar vulneráveis.

O secretário de Economia da Espanha, Jimenez Latorre, disse nesta segunda-feira que a ajuda financeira da União Europeia para os bancos em dificuldade do país pode ser garantida às instituições dentro de três a quatro meses.

No entanto, os bancos com necessidades financeiras urgentes podem ser ajudados com mecanismos temporários de liquidez, disse Latorre.

(Reportagem de Julien Toyer; reportagem adicional de Robert Hetz e Emma Pinedo)

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