Espanha pede punição à Argentina por expropriação

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel García-Margallo, conclamou governantes da Europa e de outras partes do mundo a adotarem ações concretas contra a Argentina, para pressionar o país a compensar a petrolífera Repsol pela expropriação da YPF.

MADRI, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2012 | 03h03

Em declarações feitas na véspera de um encontro de chanceleres da União Europeia em Luxemburgo, García-Margallo disse que a Espanha pressionaria o bloco a retirar da Argentina o tratamento de parceiro comercial preferencial. A UE é o segundo mercado das exportações argentinas, atrás apenas do Mercosul.

García-Margallo afirmou ainda que a Espanha pediria a entidades multilaterais como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) que pressionem a Argentina a voltar a negociar. Segundo ele, a expropriação da YPF "afeta todo mundo", e não é um problema apenas da Espanha.

"Os investimentos estrangeiros em um país não podem estar sujeitos aos caprichos emocionais de um líder de país", prosseguiu o chanceler espanhol, em crítica à presidente Cristina Fernández de Kirchner.

Vargas Llosa. A expropriação da YPF segue o mesmo modelo usado por Hugo Chávez na Venezuela e provoca grandes danos à América Latina em geral. Esta é a opinião do Prêmio Nobel de literatura Mario Vargas Llosa, que em um artigo publicado ontem no jornal espanhol El País, afirma que o objetivo das medidas "demagógicas e populistas"adotadas pela presidente Cristina Kirchner é afastar os argentinos dos graves problemas econômicos e sociais do país.

De acordo com o escritor peruano, a expropriação da YPF deve trazer muito mais danos do que benefícios à Argentina. Ele vê semelhanças entre o que aconteceu com a Repsol em Buenos Aires com os métodos que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tem usado para nacionalizar empresas agrícolas e industriais.

Vargas Llosa diz que o pior da expropriação são os danos causados a toda a América Latina, ao semear a desconfiança dos investidores na região.

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