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Espanha reage duramente à decisão

Governo espanhol avisa que anunciará medidas 'claras e contundentes' contra as 'decisões argentinas arbitrárias e extravagantes'

KARLA MENDES, ESPECIAL PARA O ESTADO / MADRI, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h06

O governo da Espanha reagiu duramente contra a decisão anunciada ontem pela Argentina de expropriar a YPF, filial da Repsol no país, e avisou que anunciará nos próximos dias as medidas que serão tomadas, cumprindo a promessa de que qualquer medida restritiva contra empresas espanholas seria considerada um atentado contra a Espanha.

"A decisão argentina é contra uma empresa espanhola e, portanto, contra a Espanha e contra o governo da Espanha. E o governo atuará em consequência. Anunciaremos as medidas contra essa decisão nos próximos dias. E serão medidas claras e contundentes", avisou o ministro de Indústria, Energia e Turismo da Espanha, Manuel Soria, evitando dar detalhes de quais seriam as medidas.

O anúncio foi feito ontem à noite, depois de uma reunião de urgência convocada para discutir a decisão argentina que surpreendeu o governo espanhol no fim da tarde. "Nos surpreendeu porque são medidas que afetam países que têm relações tão antigas como Espanha e Argentina. E uma política externa consiste, normalmente, em diálogo e negociação, e não em decisões arbitrárias e extravagantes. Não me lembro de precedentes similares", disse o ministro de Assuntos Exteriores e de Cooperação, José Manuel García-Margallo.

Medida arbitrária. García-Margallo classificou a decisão como "arbitrária e extraordinariamente agressiva" para a população argentina, pois certamente prejudicará os investimentos no país. "Essa arbitrária decisão quebra a confiança necessária para atrair os investimentos que a Argentina necessita para crescer e sair da situação em que se encontra. É uma péssima decisão para a Espanha e uma péssima decisão para a Argentina", criticou: "Essa decisão não afeta só a Espanha, mas afeta também o princípio da seguridade jurídica e ameaça qualquer investidor internacional."

Soria, por sua vez, questionou o fato de a presidente Cristina Kirchner ter feito um anúncio de nacionalização que, na verdade, tem impacto somente para a empresa espanhola: "Se anunciam uma lei de nacionalização, por que a medida tem relação somente com uma empresa, a YPF, da qual Repsol é legítima proprietária da maioria das ações?"

O governo espanhol também teme que haja um efeito cascata de decisões semelhantes para outras empresas do país que têm investimentos na Argentina, sobretudo nos setores de telecomunicações, financeiro e energético.

Na visão de Juan Carlos Martínez Lázaro, economista do IE Business School em Madri, a ofensiva da Argentina contra Repsol afetará as relações entre os dois países em todos os níveis. "Isso não vai sair de graça", afirmou. Para ele, além das ações judicias para reparação de prejuízos financeiros que os acionistas moverão contra o governo argentino nos mais diversos países, um dos grandes prejuízos para a Argentina será a sua imagem no mercado internacional, com a sua credibilidade na berlinda, pois o país está se transformando em uma "nova Venezuela" ao tomar uma decisão que fere os princípios da legalidade internacional e da propriedade privada.

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