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Espanha teme ajuste de bancos

Sistema financeiro terá de encolher e cortar crédito para atender exigências da UE, o que poderá agravar o problema do desemprego

AMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2011 | 03h06

JCom um a cada dois jovens desempregado, a Espanha já se prepara para uma década turbulenta e de aperto de cintos. Estimativas do governo apontam que, mesmo se tudo correr bem, em 2016 o desemprego ainda será duas vezes superior ao que existia em 2007. No país, o temor é de que, com o novo pacote aprovado pela União Europeia (UE), a recuperação se transforme em uma tarefa ainda mais dura.

O que preocupa os espanhóis é a exigência de recapitalização dos bancos, que na Espanha poderá consumir 26 bilhões e outros 80 bilhões no resto da Europa. Oficialmente, os bancos atingirão essa meta captando recursos no mercado e diminuindo seus lucros. Mas o temor é de que o objetivo seja alcançado reduzindo créditos e fechando as torneiras. O que alarma a muitos é que, por enquanto, a UE não indicou como é que forçaria os bancos a atingir essa capitalização e ao mesmo tempo continuar emprestando.

O impacto de um eventual fechamento das torneiras seria claro: dificuldade para que empresas rolem suas dívidas e uma recessão. "A Europa está à beira de uma nova recessão. Não basta apenas seguir insistindo numa ajuda às contas públicas ou aos bancos", alertou Ignacio Fernández Toxo, secretário-geral do CCOO (Comissões Obreiras, a maior central sindical da Espanha): "A capitalização é exagerada e pode ter repercussões profundas se não for feita de uma forma adequada".

Na prática, o alerta é um só: as exigências aos bancos podem levar a um corte de créditos às empresas que, como consequência, aumentariam as demissões. Na semana passada, a taxa de pessoas sem trabalho atingiu 21,5%, cerca de 5 milhões de espanhóis. Em 2007, era apenas 1,7 milhão, 7% da população. Segundo o governo, a Espanha terá de esperar até 2016 para voltar a ter uma taxa de desemprego de 16%, duas vezes ainda superior aos números de 2007.

Mais riscos. Na Itália, o alerta é parecido. Segundo o Banco Central italiano, as condicionalidades colocadas no acordo ameaçam jogar o país e outras economias numa recessão, com alta de desemprego. "Esse cenário não foi devidamente considerado quando essa política foi formulada, e agora corremos o severo risco de ter metade da Europa em uma recessão", alertou um alto funcionário do BC italiano.

Simon Tilford, economista-chefe do Centro para a Reforma Europeia, também insiste que o mais assustador é que as questões do crescimento da economia e geração de empregos nem sequer estão na agenda dos políticos: "Isso só será abordado quando houver uma reforma profunda na política macroeconômica da zona do euro. E isso nem sequer está em discussão".

"Há um reconhecimento na Europa que a falta de crescimento é um problema. Eu até gostaria de dizer que governos estão adotando medidas para tratar disso. Mas a verdade é que não estão", afirmou Alistair Darling, ex-ministro de Finanças do Reino Unido, em entrevista à BBC.

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