Espanha terá problemas para encontrar recursos até fim do ano

Dívidas regionais, alta dos custos de empréstimos, déficit maior e piora do sentimento de mercado estão fazendo com que seja praticamente impossível para a Espanha encontrar 50 bilhões de euros em financiamentos que o país precisa até o final do ano sem ajuda externa.

JULIEN TOYER E CARLOS RUANO, Reuters

25 de julho de 2012 | 10h45

Madri precisará de 10 bilhões de euros mais do que o esperado no início do ano para financiar uma meta de déficit mais leve acordada com a União Europeia, e 12 bilhões de euros extras para uma nova linha de liquidez para as regiões autônomas altamente endividadas.

Isso eleva as necessidades totais de financiamento para o restante do ano para cerca de 50 bilhões de euros, desperdiçando a vantagem que a Espanha ganhou no primeiro semestre do ano ao antecipar seu financiamento em um momento em que o Banco Central Europeu (BCE) estava dando dinheiro barato aos bancos para comprarem dívidas do governo.

Autoridades espanholas haviam afirmado que o segundo semestre do ano não seria difícil depois de terem levantado 59 bilhões de euros de sua necessidade de financiamento esperada de 86 bilhões na primeira metade do ano.

Mas o benefício se evaporou agora que o Tesouro precisa encontrar recursos extras para atender a meta de déficit revisada para 6,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 5,3 por cento anteriormente, e fornecer o novo dinheiro pra seu fundo de resgate para as regiões.

As finanças públicas da Espanha têm sido uma grande preocupação para investidores internacionais desde que o país não cumpriu a meta de déficit do ano passado por uma ampla margem. A complicada situação de seus bancos e uma segunda recessão em três anos, que deve durar até o próximo ano, pioraram as coisas.

Os custos de financiamento do país atingiram novas máximas da era do euro. Na terça-feira, os papéis de 10 anos eram negociados com rendimento de 7,60 por cento, bem acima do nível de 7 por cento considerado como insustentável para as finanças públicas.

O Tesouro pode usar o dinheiro que tem em seus cofres e liquidez de curto prazo para pagar 12,87 bilhões de dívida com vencimento em 30 de julho. Um teste maior acontecerá em 29 e 31 de outubro, com 20,27 bilhões de euros em dívida vencendo em dois dias.

A Espanha tem agora um colchão de liquidez em dinheiro de 28,9 bilhões de euros em dinheiro. Mas isso tem derretido rapidamente nos últimos dois meses --ante 44 bilhões de euros em abril e 40,3 bilhões de euros em maio.

Julho e outubro são tradicionalmente bons meses para a posição fiscal do país devido à arrecadação de impostos, mas ela tem estado fraca desde o início do ano, com queda de 5 por cento na comparação com o mesmo período do ano passado.

Se a Espanha não conseguir vender títulos suficientes de médio e longo prazos, também pode emitir títulos do Tesouro de curto prazo. Mas contar com financiamento de curto prazo para financiar as necessidades de longo prazo dificilmente acaba com o problema e tem um alto custo.

A Espanha levantou 3 bilhões de euros na terça-feira, pelos quais pagou o segundo yield mais alto no papel de curto prazo desde o nascimento do euro.

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