Espanha terminará 2008 em recessão, mas grandes empresas se salvam

Bons resultados no Brasil fizeram o maior banco do país registrar resultados positivos.

Anelise Infante, BBC

01 Outubro 2008 | 10h33

Se as previsões da Comissão Européia de Economia se cumprirem, a Espanha terminará 2008 em recessão.O recente informe da Comissão Européia previu para os espanhóis dois trimestres consecutivos de crescimento negativo: retração de 0,1% e 0,3%; e taxas de inflação de 5% e 4% para os meses finais de 2008.E pior, a Espanha será o último país da área do euro a sair da crise, segundo o relatório apresentado em Bruxelas no início de setembro.Por outro lado as maiores instituições privadas do país respiram em pleno vendaval financeiro internacional. Principalmente pelos resultados das filiais latino-americanas.As grandes empresas do país, como o Banco Santander e a Telefonica, não só estão se salvando, como ainda poderão fechar seus balanços em positivo, graças aos resultados da América Latina.O Banco Santander, que tem cerca de um terço de seus ativos no Brasil, espera terminar o ano com lucro bruto de 10 bilhões de euros e mantém a expectativa de crescimento de 15%. Segundo o presidente do Santander, Emílio Botín, a crise atual é "o período mais difícil já visto por toda uma geração de banqueiros" e a economia espanhola está reagindo "pior do que se esperava".Mas, para ele, o banco sobrevive porque "está melhor preparado do que muitos de seus concorrentes".Uma das razões desse otimismo aparece nos resultados das filiais de Brasil e México.Apesar da queda de 15,4% das ações nos últimos 18 meses (enquanto a perda média dos títulos dos 20 principais bancos do mundo chegou aos 36%), o Santander obteve com a filial brasileira seu melhor resultado trimestral: 262 milhões de euros de lucros.Para o diretor da divisão de América do Santander, Francisco Luzón, a crise "não afetou as expectativas de crescimento da região", mas há uma advertência: controlar a inflação.Luzón definiu como "crítica" a subida dos preços e recomenda aos governos de Brasil, México, Chile, Argentina, Colômbia, Peru e Venezuela "reconduzir a inflação para níveis abaixo dos 4%".O banqueiro espanhol disse que o Santander "não renuncia a nenhuma de suas metas na América Latina": crescimento de 20% em 2009, aumento anual do volume de créditos entre 20% e 25% e dos depósitos entre 14% e 20%, mas que também é preciso "ser muito prudente nessa atual conjuntura". Os analistas financeiros concordam."O Brasil conseguiu se isolar da crise. Tem sólidos fundamentais, cada vez maior autonomia dos Estados Unidos e as matérias primas continuam com preços altos. Mas é necessária certa precaução antes de investir mais ali", comentou à BBC Brasil Alejandro Varela, gestor de fundos da operadora financeira Renda 4.Mais do que precaução, a Telefônica encontrou na América Latina um refúgio em épocas de crise. Se na Espanha o faturamento do último trimestre subiu 1,4%, nas filiais sul-americanas o aumento foi de 9,4%.Só no Brasil a operadora ganhou 2,6 milhões de novos clientes em telefonia celular no primeiro semestre de 2008, 66% a mais do que no ano passado.O sucesso fez com que o investimento em banda larga e fibra ótica chegasse antes ao mercado brasileiro do que ao espanhol.EconomiaA resposta positiva das grandes empresas animou o governo socialista do premiê José Luis Rodriguez Zapatero a criar uma campanha internacional para defender o país em tempos de crise.Segundo o Palácio de la Moncloa (sede do governo) "a situação econômica da Espanha é melhor do que se crê no exterior" e o país vive um "grande descrédito" por causa da taxa de desemprego, pressão inflacionária e a estagnação do setor da construção civil.A campanha "marca Espanha" usando como referências o Santander e a Telefônica já começou a dar frutos.O jornal britânico Financial Times recomendou na edição do passado dia 30 de setembro aos banqueiros internacionais "tomar lições espanholas", lembrando o Banco Santander era um desconhecido uma década atrás e tornou-se um sobrevivente da crise mundial.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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