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Espanha volta a sofrer pressão dos mercados

Governo nega que a Comissão Europeia tenha sugerido um empréstimo para socorrer bancos

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2012 | 03h07

O governo de Mariano Rajoy desmentiu ontem que tenha recebido da Comissão Europeia a sugestão para que oficialize um pedido de empréstimo internacional para socorrer seu sistema financeiro. A informação havia sido divulgada pela imprensa espanhola e ecoa a preocupação crescente com o estado das finanças do governo, que enfrenta crise de credibilidade no mercado de dívidas soberanas.

Em fevereiro, o Ministério da Economia orientou os bancos do país a buscarem € 52 bilhões em recapitalizações para reforçar seus caixas e afastar o risco de falência. O sistema financeiro da Espanha tem se mostrado em diferentes testes de estresse do Banco Central Europeu (BCE) aquele com maior número de instituições fragilizadas pela sucessão de crises desde 2007.

Ontem, veículos de imprensa da Espanha informaram que a Comissão de Relações Econômicas da União Europeia teria instruído o governo Rajoy a buscar com rapidez novos recursos privados, públicos ou de fundos europeus para reduzir a incerteza sobre o sistema financeiro do país.

Nos últimos dois meses, as dúvidas sobre a sanidade dos bancos do país só aumentam. Nunca as instituições da Espanha pediram tanto dinheiro ao BCE. Em fevereiro, a exposição líquida dos bancos espanhóis ao BCE - medida pela diferença entre os pedidos de empréstimos e os depósitos - chegou ao recorde de € 152,4 bilhões. Esse montante representa 47,3% da exposição dos bancos de toda a Europa ao BCE. Já o número de empréstimos do BCE às instituições cresceu 9,6% em fevereiro, na comparação com janeiro.

Apesar dos empréstimos e das fusões em negociação, as instituições da Espanha precisariam de até € 100 bilhões, segundo estimativa do banco suíço UBS.

Recapitalizar os bancos com tanto dinheiro, entendem especialistas, não seria possível apenas com dinheiro privado. Tampouco o governo espanhol, mergulhado em déficit público, teria condições de socorrer o sistema do país. Há 15 dias, Rajoy anunciou que sua gestão descumpriria as metas de redução do déficit fiscal, planejando um rombo de 5,3% do PIB, ante 4,4% prometido a Bruxelas para dezembro de 2012. Além disso, a Espanha enfrenta uma recessão crônica - que caminha para o quinto ano seguido -, depois de uma queda de 0,7% em 2011.

Segundo avaliação do Citibank, a Espanha "não está em condições" de recapitalizar seus bancos. Daí a suposta oferta de Bruxelas para que a gestão de Rajoy peça ajuda aos fundos europeus. Ontem, a proposta foi desmentida pelo comissário de Relações Econômicas, Olli Rehn, que a considerou "infundada". Completando cem dias à frente do governo em meio a uma greve geral em Madri, o conservador Mariano Rajoy também teve de vir a público negar as informações. Pressionado pela progressiva perda de credibilidade com os investidores, o premiê reconheceu que a Espanha vive um momento de instabilidade nos mercados, "que ainda não perceberam que nossas finanças estão sob controle". "A confiança dependerá de nossa capacidade de gerenciar as finanças púbicas e de retomar a competitividade."

Ontem, o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, afirmou que a Espanha não corre risco de contágio pela crise das dívidas, que já levou ao buraco Grécia, Irlanda e Portugal. "Espero que a ideia de contágio se torne passado em breve, agora que a disciplina é respeitada pela maioria dos países-membros da UE."

Greve geral. A partir da zera hora de hoje, o governo espanhol enfrenta uma greve geral. A paralisação foi convocada pelos sindicatos que são contra a reforma trabalhista e será a primeira do governo de Rajoy. As maiores centrais sindicais do país dizem que a reforma afeta os direitos dos trabalhadores, enquanto o governo garante que a reforma vai criar empregos.

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