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Espanhóis lotam praças para protestar

Manifestantes convocados pela internet se inspiram nas revoltas populares do norte da África e devem ficar nas ruas até domingo

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

Milhares de espanhóis desafiam as autoridades, se inspiram na experiência da Praça Tahrir, epicentro das revoltas no Cairo, e tomam praças em 30 cidades do país para protestar contra o desemprego e a situação social.

Os grupos, compostos essencialmente por jovens, prometem permanecer nas ruas até domingo, quando a Espanha realiza suas eleições municipais. Mas o movimento já está sendo considerado como o espelho mais claro do mal-estar econômico da Europa.

Ramón Lobo, articulista do jornal El País, acredita que a onda de protestos que tomou conta do norte da África pode ter chegado à Europa justamente pela Espanha, mesmo que suas dimensões sejam bem menores.

"Madri não é Tahrir", escreveu. "Mas o vírus é o mesmo: o esgotamento de uma juventude sem esperança", ressalvou.

A crise econômica fez a taxa de desemprego triplicar em apenas três anos, atingindo hoje 21% da população espanhola, quase 5 milhões de pessoas. A política de austeridade do governo também está custando caro e o país vê seu mercado doméstico estagnado.

Ontem a Justiça Eleitoral de Madri julgou que não havia motivo para autorizar a manifestação, alegando não existirem motivos " graves" para o protesto. Mas os grupos decidiram ignorar a decisão e manter o acampamento no centro da capital.

As pessoas que tomaram as praças garantem que não tem partido, se identificam apenas como "indignados" e operam sob o lema "Democracia Real Já". Suas armas são parecidas as dos manifestantes da Praça Tahrir: a internet. Em alusão aos protestos no Cairo no início do ano, muitos levavam bandeiras do Egito ontem em Madri. Para seus participantes, trata-se de uma reação espontânea à crise.

Pela internet. A primeira convocação - sempre pela internet - foi para um protesto no domingo passado. Apenas 50 pessoas apareceram. Mas a ideia rapidamente ganhou novas dimensões e ontem já contava com 40 mil adeptos, muitos deles na Puerta del Sol, marco zero de Madri. Alguns chegaram a passar a noite no local. Em Barcelona e outras cidades, o movimento também ganhou adeptos.

À medida que o dia ia passando, o movimento começava a ganhar estrutura. Assembleias foram organizadas e, em poucas horas, um manifesto surgiu, com propostas como o fim dos cortes de pensão, uma revisão da política de austeridade no campo social e leis que proíbam políticos acusados de corrupção de disputar eleições. Em Madri, cerca de 200 homens se mobilizaram para garantir a segurança do evento e evitar atos de violência.

Dinheiro foi coletado na praça para ajudar a manter o movimento. "O que nos une é a economia em desgraça e o desemprego", afirmou Jon Aguirre, porta-voz do grupo Democracia Real Já, em declarações por telefone ao Estado. "Convocamos as pessoas por Facebook e Twitter. São simplesmente pessoas indignadas com o que ocorre com o país hoje."

Tanto a esquerda como a direita parecem sem estratégia diante da reação popular. O partido de Zapatero admitiu que estava preocupado com a onda de manifestações e teme que simpatizantes da esquerda abandonem o partido neste momento. O Partido Popular, que governa Madri, questiona o motivo pelo qual o acampamento tem sido montado diante da prefeitura, liderada pelo PP, e não na porta do palácio do governo, com os socialistas. Para a prefeita de Madri, Esperanza Aguirre, a manifestação "certamente" havia sido organizada pelos socialistas.

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