Espanhóis protestam contra cortes nos gastos públicos e resgate a bancos

Duas entidades sindicais responsáveis pela convocação dos protestos organizaram passeatas em aproximadamente 60 cidades espanholas

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

20 de junho de 2012 | 17h47

MADRI - Dezenas de milhares de espanhóis saíram às ruas de Madri nesta quarta-feira em protesto contra os cortes no financiamento de programas públicos e contra o multibilionário pacote de resgate aos bancos da Espanha em meio a temores de que o programa seja insuficiente.

Um mar de bandeiras vermelhas e verdes tomou conta do Paseo del Prado, avenida situada na região central de Madri, enquanto a multidão realizava uma passeata ao som de tambores e buzinas até a Porta do Sol, praça onde ocorreram numerosos protestos recentes contra crise.

"Resgate aos bancos = roubo aos cidadãos", dizia uma faixa exibida por manifestantes enquanto trabalhadores do setor público denunciavam os cortes nos salários e no orçamento impostos para fazer frente à situação crítica nas contas públicas da Espanha.

A UGT e a CCOO, entidades sindicais responsáveis pela convocação dos protestos, organizaram passeatas em aproximadamente 60 cidades espanholas.

O mais recente ato de uma onda de protestos contra os bilhões de euros em medidas de austeridade impostos pelo governo ocorre depois de os parceiros da Espanha na União Europeia (UE) terem chegado a um acordo de emprestar até € 100 bilhões a Madri para salvar o setor bancário espanhol.

"Eu não acho que esse resgate trará algum benefício aos cidadãos", disse Maria, uma professora de 37 anos de idade que não quis revelar seu sobrenome. Ela criticou o fato de as reformas do governo para o setor terem resultado no aumento do número de alunos por classe e na elevação das mensalidades. "Haverá mais desemprego, mais precariedade e mais pobreza."

Segundo ela, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, "não está dizendo abertamente o que vai acontecer com esse resgate aos bancos, que só vai ficar maior e maior, já que não será suficiente".

"O resgate não melhora nada para nós, que somos servidores públicos, nem para os espanhóis em geral", disse Miguel Ángel Rodriguez, de 45 anos, um dos muitos servidores do poder judiciário que hoje, pela primeira vez, aderiram aos protestos. "Eles (os governantes) estão tirando proveito da situação econômica para cortar mais e mais." As informações são da Dow Jones.

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