Especialista acompanha anúncio com ceticismo

A comprovação da reserva de gás natural na bacia sedimentar do São Francisco foi encarada com pouco entusiasmo pelo economista Adriano Pires, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele chegou a usar a expressão "cunho propagandístico" ao falar sobre a descoberta.

Sergio Torres, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

Diretor-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Pires não conhecia em detalhes o estudo, mas afirmou que não chega a ser uma novidade a hipótese de existir gás natural na bacia do São Francisco.

Tanto que, argumenta ele, empresas internacionais, como a Shell, e locais, como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais(Codemig), ambas estatais, têm blocos para pesquisas, perfurações e exploração.

"Existe no mercado essa perspectiva de que pode haver muito gás na região. Mas, no caso do gás e do petróleo, só se pode saber de fato quando se fura e produz". De acordo com o especialista, "não dá para falar", por enquanto, que haverá produção de sete milhões de metros cúbicos diários. "É prematuro. Isso é bastante gás. Representa um quarto do que o Brasil importa da Bolívia", acrescentou Pires.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) não comentou o assunto, sob a alegação de que ainda é um estudo. Por meio de sua assessoria de imprensa, a agência limitou-se a informar que sua função é acompanhar a execução do contrato e que o bloco em questão ainda está na fase de pesquisas. A Petrobrás informou não ter acompanhado a pesquisa porque não participa do consórcio responsável pelo bloco.

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