Especialista contesta planos de previdência

Para ele, poupador ganha mais no longo prazo se montar sua própria carteira, seja de renda fixa e/ou renda variável

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2010 | 00h00

A previdência privada não é a melhor opção de investimento para o planejamento da aposentadoria. A afirmação é do educador financeiro Mauro Calil e é endossada por outros especialistas em finanças pessoais, que recomendam a composição própria de uma carteira para a obtenção de rendimentos mais altos.

O principal entrave da evolução da rentabilidade na previdência privada, segundo Calil, são as taxas de carregamento e de administração cobradas pelas instituições que gerem e vendem os planos de previdência. "É muito mais rápido se aposentar elaborando a própria carteira do que com produtos de prateleira, como a previdência", reforça Calil.

Segundo a Federação Nacional da Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), no entanto, há benefícios fiscais oferecidos pela previdência privada que "mais do que compensam a cobrança das taxas." (ler mais no quadro ao lado)

Rita Mundim, consultora de finanças pessoais da Prosper, concorda com Calil. Em sua opinião, bolsa e imóveis são as melhores opções para quem pensa em ampliar a renda na terceira idade. "O dinheiro da aposentadoria pode esperar. Renda variável, no longo prazo, é a opção de investimento mais rentável. Imóveis também são uma boa, já que a valorização virá com o tempo." O investimento em imóveis, no entanto, é somente para quem tem capital inicial alto.

Para quem optar pelo investimento em bolsa, a recomendação dos especialistas é investir um pouco por mês. Dessa forma, o investidor não fica muito exposto às oscilações do mercado e consegue formar um preço médio para o papel.

A fórmula sugerida é usada por Selma Lee, que há dois anos fez um curso de iniciação no mercado de capitais para começar os seus investimentos. "Só compro blue chips (nome dado às ações mais líquidas do mercado). Faço o investimento mais conservador que é possível dentro do mercado acionário porque viso à aposentadoria." Ela dá uma dica: "De seis em seis meses, aumento um pouquinho do valor investido. Esse é um bom sistema."

Emanuel Pereira Silva, sócio da GAP Asset, considera essa uma boa estratégia para quem aplica pensando na aposentadoria. Ele também concorda que o investidor pode obter rendimento mais expressivo fora da previdência. No entanto, pondera que, para alguns perfis, os planos de prateleira são a única saída.

"Só dá para pensar em elaborar a própria carteira se tiver conhecimento ou auxílio de um especialista e, além disso, um valor de no mínimo R$ 500 para aplicar todo mês, ou a carteira fica pouco diversificada", diz.

Mescla de ativos. Há ainda a opção de manter uma carteira híbrida, como é o caso do dentista Alberto Saba. Ele tem um plano de previdência há dois anos e também aplica em ações, com estratégia semelhante a de Selma.

Saba conta que aplica um pouco na previdência, sobretudo pelo conforto do débito automático do valor programado para ser investido. "Mas o rendimento das ações é, disparado, mais expressivo", afirma.

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