Especialista defende medidas polêmicas para reduzir déficit da Previdência

O especialista em Finanças Públicas, Raul Velloso, afirmou nesta quinta-feira que o problema do déficit crescente na Previdência não se resolve apenas com medidas de gestão. Segundo ele, além do estabelecimento de uma política de não elevação do salário mínimo em termos reais nos próximos anos, é necessária uma nova, e polêmica, reforma que reverta trajetória crescente das despesas previdenciárias.Para o economista, essa reforma precisa mexer em temas como a definição de uma idade mínima para que as pessoas possam se aposentar. "O Brasil é um dos poucos países do mundo em que não existe idade mínima para se requerer a aposentadoria", afirmou.Outra idéia para estabilizar as contas do sistema é a eliminação do que ele chamou de privilégios que hoje existem. "É preciso que haja uma equiparação de regras entre os beneficiários", afirmou. "As regras para as mulheres são mais suaves do que para os homens, os trabalhadores da zona rural também têm regras mais suaves", explicou. De acordo com Velloso, essas duas medidas diminuiriam o fluxo de requerimento de benefícios e contribuiriam para estancar o déficit. Mas o economista não pára por aí e sugere também a revisão da fórmula de cálculo dos benefícios pagos pela Previdência, considerado por ele "muito altos". Velloso explica que o trabalhador recebe, na aposentadoria, todo valor que contribuiu, o que seria errado porque parte dessa contribuição é também para suprir benefícios como pensão e auxílio-doença. Velloso não acredita que sua proposta aprofundaria a pobreza e a desigualdade social no Brasil. Segundo ele, os mais pobres, que estão na economia informal, não são protegidos pelo sistema previdenciário. "O orçamento é limitado. Nem no nirvana do welfare state (estado de bem-estar social) se resolve o problema da pobreza por meio de transferências de recursos do Orçamento", afirmou.

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