Especialista não crê em calote de importadores argentinos

A maioria das empresas brasileiras que fornecem produtos para o mercado argentino não deve ter problemas para receber seus pagamentos, principalmente as de grande porte. A opinião é do consultor especializado em comércio exterior e professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP de Ribeirão Preto, José Lopes Vazquez. "É claro que existe um receio por parte do exportador, mas mão vejo risco de calote, porque a Argentina tem um superávit de mais de US$ 1 bilhão com o Brasil. Talvez os pequenos tenham algum problema", disse. Dados preliminares do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que o País exportou US$ 58,2 bilhões em 2001. Desse total, US$ 5 bilhões correspondem às vendas para Argentina. Em relação às importações, o Brasil comprou um total de US$ 55,5 bilhões, sendo US$ 6,2 bilhões referentes aos negócios com o país vizinho. Segundo ele, teoricamente o valor do superávit argentino tende a subir ainda mais com a desvalorização cambial promovida pelo novo presidente Eduardo Duhalde. O consultor acredita em um socorro financeiro rápido ao país pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pressionado, entre outros fatores, pelos possíveis impactos negativos no mercado financeiro, principalmente em Wall Street.Ele também está otimista em relação ao desempenho das vendas do Brasil para Argentina e não acredita em queda em 2002, mesmo com a retração do mercado consumidor pelo acesso restrito ao dinheiro e com o câmbio desfavorável. Para Vazquez, a volta do pagamento da dívida externa da Argentina depende do crescimento das exportações e da tentativa de atrair o capital externo via investimentos diretos. Ele não aposta em reflexos negativos da crise argentina para o Mercosul, cujo desempenho, ainda aquém das expectativas, é classificado por Vazquez como "normal", comparado com a evolução da União Européia. "Só agora conseguiram a moeda única", disse.

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