Especialista prevê aumento nos combustíveis em novembro

A Petrobrás deverá determinar sucessivas majorações dos preços dos derivados e o novo ajuste aos preços internacionais do petróleo deverá ocorrer nos primeiros dias de novembro, alertou o consultor especializado em energia, Luiz Gonzaga Bertelli, afirmando que seria preciso um ajuste de pelo menos 20% na gasolina.Ele salientou que "háespecialistas que projetam uma primeira correção de pelo menos 10%. Quando o barril, com 159 litros de petróleo estava sendo comercializado a US$ 40, na primeira quinzena de junho deste ano, tivemos um aumento na gasolina de 10,8% e de 10,6% no óleo diesel".Para Bertelli, as autoridades fazendárias brasileiras, preocupadas com a inflação, "recomendam que as novas alterações dos preços aconteçam, paulatinamente, no último bimestre deste ano. Em decorrência, não repercutiria na meta de 8% indexada para 2004".Ele lembrou que alguns postos, depois do aumento da gasolina e do diesel, resolveram reajustar o preço do álcool hidratado, passando a cobrar R$ 1,20 por litro. "Contudo, a demanda do álcool está firme, diante do excepcional crescimento do seu uso nos modernos carros bicombustíveis (flexfuel), cujas vendas atingiram 35% do total dos veículos novos de passeio comercializados em setembro deste ano. Todas as montadoras terão motores flexíveis em 2005", explicou.Após as modificações havidas nos valores dos derivados do petróleo, as distribuidoras já registram uma queda de consumo acentuada. Não existe nenhuma evidência de que o preço do petróleo possa diminuir. Para o consultor, o Brasil, com uma produção média da ordem de 80% das suas necessidades, estaria razoavelmente protegido de um eventual desabastecimento, dos malefícios e reflexos da desestabilização dos preços do petróleo. Com a manutenção dos preços em torno de US$ 50/barril, são cada vez mais promissoras as perspectivas para o crescente aumento e utilização do álcool, bem como do biodiesel. Mas, Bertelli alertou que "existem, ainda, entraves a serem superados, entre eles a carga tributária, bem como haverá a necessidade de concessão ao biodiesel do mesmo tratamento proporcionado ao Proálcool, nos anos de 75/80, com a outorga de financiamento à produção agrícola e industrial".

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