Especialista recomenda melhorias em aeroportos já

Para reverter a situação de um possível colapso aéreo no País, o governo deve iniciar imediatamente a expansão do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, São Paulo, com a construção de uma terceira pista para pousos e decolagens. Além disso, deve tomar uma decisão: construir um novo aeroporto, que complementaria o atual sistema operacional Congonhas/Guarulhos, ou realizar a ampliação de Viracopos, em Campinas. Essa é a avaliação do especialista em aviação da consultoria Bain & Company, André Castellini. Para ele, "os trabalhos têm de começar imediatamente". De acordo com o especialista, a sobrecarga nos aeroportos de São Paulo - conhecida também situação de gargalo - já é motivo para preocupação. "Em São Paulo existe uma situação de gargalo, que já incomoda os passageiros e limita o crescimento do mercado", afirma ele, comentando o estudo do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), divulgado nesta segunda-feira pelo Estado, que prevê dificuldades no setor, caso não haja uma rápida expansão de infra-estrutura.Para o especialista, não há muito o que se fazer com relação à expansão do aeroporto de Congonhas. Com relação a Guarulhos, ele acredita que o melhor caminho seria a parceria com a iniciativa privada. "Os aeroportos do mundo todo não tiveram problemas em atrair capital da iniciativa privada, mas aqui (no Brasil) há dois fatores que delimitam o investimento: a burocracia política e os entraves ecológicos", pondera. Castellini afirmou, ainda, que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê investimentos de R$ 3 bilhões para 20 aeroportos até 2010, sendo R$ 1 bilhão para o Estado de São Paulo, "trata em escala menor" das questões do gargalo aéreo em São Paulo.Segundo ele, existe atualmente no sistema aeroportuário do País uma demanda "latente" e uma infra-estrutura que não acompanha o mercado. Porém, mesmo diante dos problemas, o mercado deve continuar crescendo. Castellini estima um crescimento de 10% no primeiro mês de 2007 ante janeiro de 2006. Mesmo assim, 2007 será um ano "difícil" para as companhias aéreas, de acordo com ele. "Embora a demanda esteja crescendo, o aumento da oferta será maior que a demanda", afirma, lembrando que um novo problema com os controladores de tráfego aéreo pode fazer com que as companhias voem menos, "aumentando seus custos".Os problemas no controle de tráfego aéreo, ressalta Castellini, que protagonizaram o caos nos aeroportos brasileiros no final do ano passado, continuam sendo um dos principais percalços para o setor. "Hoje, acho que os principais problemas são: controle de tráfego aéreo (pessoal e equipamentos) e os gargalos na infra-estrutura". Tais fatores, na sua avaliação, comprometem a imagem da aviação e do turismo brasileiro. "As grandes características do transporte aéreo são a velocidade e a conveniência. Em razão das dificuldades, o transporte aéreo está se tornando menos conveniente", conta. E critica: "As empresas de transporte aéreo estão fazendo a parte delas, trazendo novas aeronaves e se adequando aos problemas, mas o problema está no governo."Castellini aponta, também, que o turismo está sendo afetado pela situação atual do sistema. "O que a gente ouve é que o turismo está sendo afetado, sim. Principalmente as viagens de curta duração, de final de semana e feriados. Vendo esta situação, em que o passageiro pode ficar condicionado a atrasos de horas nos aeroportos, as pessoas já pensam duas vezes antes de fazer uma viagem mais curta", avalia.EstudoO estudo do ITA sobre as realidades e desafios do Sistema Aeroportuário de São Paulo mostra que, caso não sejam adotadas medidas para ampliar a capacidade operacional, o sistema Guarulhos/Congonhas entrará em colapso. Tomando por base um levantamento de projeções de crescimento de demanda até 2015, o estudo mostra que seria preciso ampliar de 220% a 350% a capacidade do terminal de passageiros em Congonhas, considerando cenários otimista e pessimista. A capacidade das pistas precisaria aumentar em 50% a 130% e o pátio de aeronaves em 410% a 620% - o que é impossível diante das limitações físicas do aeroporto. Em Guarulhos, seria preciso ampliar de 40% a 100% a capacidade do terminal e do pátio, enquanto as pistas precisariam de um reforço de 20%. Isso para trabalhar no limite, com 100% de ocupação ao longo do dia, todos os dias do ano. Logo, em horários de pico, a capacidade já estaria aquém da demanda. Os problemas nos aeroportos do Estado não afetam apenas paulistas. Como 34% do movimento de passageiros utiliza Congonhas ou Guarulhos como ponto de partida ou chegada, atrasos ou cancelamentos nos dois aeroportos afetam a malha aérea de todo o País.

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