Especialistas analisam financiamentos

O consumidor que pretende construir a casa própria utilizando um sistema de financiamento deve estar bem atento aos tipos de contratos vigentes no mercado. A partir do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) - a linha mais conhecida de crédito para financiamento de imóveis -, os cálculos das prestações são definidos, basicamente, por dois métodos de amortização do valor do imóvel: os das tabelas Price (Sistema Francês de Amortização) e Sacre (Sistema de Amortização Crescente)."A situação financeira atual do mutuário e suas perspectivas para o futuro devem ter um peso essencial nesse tipo de decisão", diz um consultor da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), José Pereira Gonçalves. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, trabalha com as tabelas Sacre e Price. Por princípio, as prestações do sistema Price devem ser fixas, mas, com a inflação e as correções monetárias, elas acabam sendo corrigidas pela Taxa Referencial (TR), o mesmo índice aplicado sobre os saldos das cadernetas de poupança.Quem escolhe o sistema Price paga inicialmente mensalidades mais brandas, dizem os especialistas, mas a partir de um determinado período de recálculo, o valor da prestação calculada aumenta sempre, chegando a comprometer a renda em até 80%. O sistema Sacre foi desenvolvido para permitir uma maior amortização do valor emprestado através da queda do valor das prestações. Para tanto, diminui a parcela de juros sobre o saldo devedor - ou seja, o que falta ser quitado. Com esse método, a prestação inicial pode comprometer até 30% da renda, mas, ao longo do contrato, verifica-se a diminuição do valor da prestação calculada. "Na verdade, o Sacre é um sistema de amortização decrescente, e não crescente", explica Gonçalves.Price X SacreEm resumo, na tabela Price a prestação inicial é menor e tende a crescer ao longo do período. À primeira vista, esta é a opção mais atraente. Na Sacre, as prestações iniciais são mais pesadas, mas tendem a cair e valer até a metade de uma mensalidade Price ao final do financiamento.Segundo o especialista em matemática financeira José Dutra Sobrinho, quanto mais se antecipa o pagamento do bem, menos se gasta com juros. Por isso, é vantajoso que o consumidor amortize uma parcela significativa do bem logo no começo, pagando uma entrada maior ou antecipando, assim que puder, a liquidação de parte da dívida. "Os que optam pela tabela Price estão assumindo um compromisso de longa duração e podem acabar superestimando sua capacidade de pagamento. O melhor é escolher a Sacre ou a Sac (a tabela utilizada pelo Bradesco, igual à Sacre só que com quedas de juros mais freqüentes, geralmente mensais)", recomenda Gonçalves. Para aqueles que desejam seguir esta recomendação mas não têm renda suficiente, visto que os bancos selecionam com maior rigor os mutuários para o sistema Sacre, o conselho é procurar um imóvel de valor mais baixo ou tentar dar entradas significativas para tornar o valor financiado menor.

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