Especialistas apontam opções para aplicação de curto prazo

Além da tradicional caderneta, também é indicado investir em Tesouro Direto, fundos DI e CDB 

Roberta Scrivano, de Economia & Negócios,

19 de setembro de 2010 | 20h13

Em investimentos, prazo e risco estão intimamente ligados. Isso quer dizer que se o período do investimento for curto, o risco deve ser igualmente pequeno, segundo especialistas em finanças pessoais.

A justificativa para a recomendação é simples: com poucos meses de aplicação, se houver uma forte perda - como pode ocorrer no mercado acionário - não haverá tempo para que o investidor remaneje os recursos e recupere o que foi perdido.

"No curto prazo tem que ser conservador ou corre-se o risco de frustrar a realização do objetivo inicialmente definido", explica o educador financeiro Mauro Calil.

O profissional autônomo Antônio Cardoso, de 36 anos, por exemplo, conta que em meados de 2008, quando sua esposa engravidou do segundo filho, vendeu seu carro e aplicou todo o dinheiro na bolsa. "Eu queria vender as ações depois de alguns meses para comprar um carro melhor antes do neném nascer", relata.

O principal estímulo de Cardoso para tomar essa decisão foram os bons ganhos que ele obteve com ações em 2007 e no primeiro semestre de 2008. "Mas a crise mundial chegou e meu carro virou uma bicicleta", conta.

Para Rogério Bastos, da consultoria FinPlan, quem tem menos de R$ 50 mil e quer aplicar no curto prazo deve concentrar seus recursos na poupança. "Se a pessoa tiver mais de R$ 50 mil, haverá melhor rentabilidade em um fundo DI", diz.

Se o volume de recursos for maior que R$ 60 mil, Mauro Calil recomenda a aplicação em Certificado de Depósito Bancário (CDB). "Mas para o CDB ter rentabilidade melhor que a poupança ou fundo DI é preciso negociar muito bem a taxa de remuneração do CDB", alerta o educados financeiro.

A rentabilidade do CDB é lastreada no Certificado de Depósito Interbancário (CDI) - taxa de juro de referência do mercado financeiro. "Para investimento de R$ 60 mil no curto prazo, o CDB deve oferecer pelo menos 95% do CDI ou a poupança torna-se mais vantajosa", completa Calil.

Aplicar no Tesouro Direto é mais uma alternativa para aplicações de curto prazo. "Desde que o vencimento seja o que você espera. Se essa data for outra, o investidor pode ganhar ou perder", completa Calil.

Aplicar em ações por seis meses ou um ano, diz Bastos, neste momento não é um bom negócio. "Os papéis de ações voltadas para o Brasil estão indo muito bem, mas a questão é que as ações estão nas mãos dos estrangeiros, o que é um risco diante das turbulências nas economias de outros países." 

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