Especialistas: após descaso, UE quer se reaproximar do País

Depois de um período de "descaso", a União Européia agora tenta se reaproximar do Brasil. Essa é a avaliação que especialistas dos dois lados fizeram da última reunião bilateral, realizada na quarta-feira, 21, em Brasília. "Era para ser uma reunião de rotina, mas o nível do representante enviado pela União Européia e a substância dos temas tratados indicam que foi um passo para começar essa aproximação concreta", afirmou um diplomata brasileiro à BBC Brasil.O representante europeu na reunião foi Eneko Landaburu, diretor-geral de Relações Exteriores da Comissão Européia, o número dois do Executivo europeu na área.Na agenda da reunião com Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Itamaraty, Landaburu levou propostas para formalizar a cooperação em áreas até então não exploradas bilateralmente: biocombustíveis, educação e desenvolvimento regional."Isso mostra uma disposição da União Européia em ouvir as críticas do Parlamento (europeu) e mudar de rumo. Todos pedimos repetidas vezes que o senhor comissário (de Comércio Exterior, Peter Mandelson) deixe de olhar tanto para a Ásia e olhe mais para os países da América Latina", afirmou o deputado Javier Moreno, membro da comissão de Comércio Exterior e da delegação para relações com o Mercosul do Parlamento Europeu.CríticasA atuação de Mandelson em relação à América Latina tem sido criticada pelos deputados europeus desde o lançamento da nova estratégia de comércio internacional da União Européia, em outubro passado.O comissário definiu a China como o centro das atenções européias e, de acordo com parlamentares europeus, passou a "deixar de lado" a relação com "parceiros latino-americanos que têm muito em comum com a Europa e um grande potencial de intercâmbio".Também surgiram críticas do lado brasileiro. Para a embaixadora do Brasil para a União Européia, Maria Celina de Azevedo, "as empresas européias e as ONGs estão investindo muito na América Latina. Quem está ausente é o governo europeu"."E se os governos de esquerda e socialistas que comandam agora a Europa estão ausentes na América Latina, então teremos muito trabalho para nos colocar de novo no radar europeu", sentenciou.

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