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Especialistas avaliam cenário financeiro atual

Encontro também discutiu os caminhos para o desenvolvimento econômico do Brasil

TecBan, Estadão Blue Studio
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29 de outubro de 2021 | 05h00

O Brasil passa por um momento desafiador, com a difícil tarefa de balancear o combate à inflação, que corrói o poder de compra das famílias e impõe à economia uma nova desaceleração do crescimento. A estratégia usada pelo Banco Central (BC) até aqui foi a de aumentar a taxa básica de juros, a Selic. No webinar "Caminhos para o desenvolvimento econômico do Brasil", realizado pelo Estadão Blue Studio com patrocínio da TecBan, líder em soluções tecnológicas e inovadoras que integram o físico e o digital, especialistas consideraram o BC atrasado no ciclo de elevação dos juros e propuseram outras soluções.

"O que a autarquia monetária pode fazer e o que deveria fazer são coisas diferentes", avaliou Roberto Troster, doutor em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). "Política monetária é como um freio na atividade econômica. O gradualismo do BC está fazendo com que a taxa final seja mais alta do que seria se tivesse dado um choque de juros e, se der um choque de juros, vai durar mais", acrescentou.

Na quarta-feira (27), o Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, anunciou a elevação da Selic em 1,5 ponto percentual, para 7,75% ao ano, na tentativa de barrar a escalada inflacionária. Foi a maior alta dos juros em 19 anos. O Copom indicou que deve fazer um ajuste da mesma magnitude em dezembro. 

Para Troster, o ideal no momento seria reverter as expectativas rapidamente para 1,75 ponto percentual para "realmente dar aquela parada mais brusca na inflação". André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos, concordou e disse também que é preciso "entender a natureza da inflação, que tem uma característica de choque de oferta mais que demanda. O problema desta inflação é que está sendo persistente e se disseminando", destacou.

Agenda digital

Nos últimos anos, houve grande movimentação na agenda digital do BC. No entanto, o protagonismo da autarquia em questões como a implementação do Pix não é considerada positiva pelo mercado, segundo especialistas. "A agenda digital faz parte dos bancos, do sistema financeiro, e são coisas importantes que devem ser feitas. Não vejo por que o Pix tem de ser feito pelo BC e não pelo banco privado. Estamos focando na questão errada, ; a questão digital é importante, mas tem outros pontos. O BC deve focar em coisas mais importantes, que é um sistema financeiro transparente e eficiente", disparou Troster. "O papel do BC é conferir, e o dos outros é executar. Quando não há fiscalização, abre-se lugar para falhas", complementou.  

"Existe uma brincadeira (no setor) de que o BC está apaixonado pelo Pix e esquece a inflação", lembrou Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV. Segundo ele, na verdade, são agendas que se complementam. "Para ter uma melhor eficiência de política monetária, tem que ter canais que funcionem melhor", diz Padovani. 

Para mudar o cenário atual, Troster considera que é importante ir além da elevação da taxa de juros. "Estamos muito amarrados a um script que já ficou desatualizado", ponderou.

Inclusão financeira

O aumento de moeda circulante foi um dos temas abordados durante o evento. "Uma das várias coisas atípicas que aconteceram durante a pandemia foi o aumento da demanda por moeda, talvez explicado em parte pela injeção de recurso", considerou Padovani. Troster avalia que, com redução da inflação, aumenta o papel-moeda em poder do público, e no contexto atual de inflação alta o dinheiro em espécie circula mais rápido. "A necessidade de meio circulante sempre existiu", ponderando que é necessária a previsibilidade disso pela autarquia. 

Além disso, os especialistas destacaram a importância da inclusão financeira da população de baixa renda. Para Bia Santos, CEO da Barkus Educacional, o pagamento do auxílio emergencial contribuiu para a bancarização de grande parte da população. Ela lembrou que caiu o número de desbancarizados, e isso é uma grande vitória, mas bancarização não significa de fato que a população está acessando os serviços financeiros. 

"Até que ponto criar uma conta no banco inclui a pessoa no sistema financeiro?", questionou Bia. Para ela, é importante discutir o que é inclusão de fato e, para isso acontecer, precisamos dar um passo atrás e falar de educação financeira da população. "Hoje ainda temos dificuldade de entendimento de coisas muito básicas", comentou.

Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, ponderou que "o que falta é dinheiro antes de qualquer coisa". Ele avaliou que a bancarização segue duas lógicas: indústria e demanda. "O que é ofertado na prática não chega à maioria da população." Já Ronaldo dos Santos, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), lembrou que a entidade acredita no Pix, mas ele ainda é pouco usado no varejo. "A grande preocupação é de segurança. Ele nasceu com problema de segurança. O processo que você tem para fazer o pagamento é uma barreira."

O fato é que o mercado precisa se adaptar e conviver com os diversos meios de pagamentos disponíveis. "O grande desafio é como conviver os diversos meios de pagamentos em um varejo que tem se tornado mais produtivo para oferecer os melhores serviços ao consumidor", finalizou Meirelles.

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