Especialistas avaliam que Brasil precisa diminuir despesas

Em um debate promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), empresários e economistas avaliaram que o Brasil precisa diminuir despesas e abrir espaço para ampliar o investimento, tanto público quanto privado. Para isso, no entanto, é necessário enfrentar o grave problema fiscal, que só será solucionado com a implantação de reformas estruturais, como a tributária e a da Previdência Social. O Encontro Nacional da Indústria, que ocorre no hotel Blue Tree, resultará num documento com as propostas do setor para uma agenda nacional que promova o desenvolvimento do País. Essa agenda será entregue a todos os candidatos à Presidência da República.No documento preliminar, já divulgado, a indústria defende as reformas tributária, previdenciária e das relações de trabalho. Para os empresários o crescimento só será possível num ambiente de estrutura tributária eficiente e de redução de gastos. Com esse diagnóstico concordaram os especialistas convidados para o debate - Armando Castelar, do Ipea, Luciano Coutinho, da LCA Consultores, e o ex-ministro Mailson da Nóbrega, sócio da Tendências Consultoria Integrada. Também falou para seus colegas o empresário Jorge Gerdau.O ex-ministro Mailson da Nóbrega disse para os empresários não terem ilusões. Segundo o ministro nem a carga tributária nem as despesas têm condições de cair no próximo governo. "Fizemos um estudo na Tendências e chegamos á conclusão de que a margem para cortes não ultrapassa a 1,3% do PIB", argumentou. Para o ex-ministro, como a margem de manobra é curta, só resta o caminho das reformas.Área tributária Na área tributária, por exemplo, Mailson defendeu que a reforma se concentre no Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), de tal forma a garantir ao exportador que ele receberá o crédito acumulado. Na reforma da Previdência Social, o ex-ministro defendeu que o Brasil deixe de ser extremamente generoso com os idosos. "Não podemos continuar gastando 12, 13% do Produto Interno Bruto (PIB) com a Previdência Social", disse. Até mesmo na educação a avaliação de Mailson é que o governo direciona mal seu gasto. O ex-ministro defendeu a proposta de que o ensino superior seja pago por todos. "As famílias têm que se preparar para pagar o estudo dos seus filhos. Se não puder, o Estado empresta, uma vez que nesse nível a taxa de retorno é alta e o próprio beneficiado terá condições de quitar a dívida", observou.Política cambial A grande divergência entre Mailson e o economista Luciano Coutinho foi com relação à política cambial. Coutinho defendeu uma maior intervenção do Banco Central na taxa de câmbio para forçar uma depreciação. Já Mailson acha que, além de cara, essa política seria ineficaz.Os economistas foram unânimes em definir o foco das reformas. Para eles sociedade e governo devem se concentrar em reformas que aumentem a capacidade de investimento do Estado. Com perspectiva de redução de despesa ao longo do tempo o País também, segundo eles, voltará a atrair mais investimentos externos.

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