Especialistas divergem em avaliação das importações

Para o presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), economista Roberto Segatto, as importações não vão se manter nos níveis atuais, mas devem voltar a crescer e vão "corroer" parte do superávit acumulado no ano. Por isso, ele acredita na possibilidade de obtenção de um superávit comercial, no ano, entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões. Pelos seus cálculos, por conta da greve dos auditores fiscais da Receita Federal, há um represamento de cerca de US$ 1 bilhão de importações que ainda não foram liberadas, mesmo depois da suspensão do movimento na segunda semana de julho. Já o diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, diz que os números das importações após o fim da greve estão surpreendendo. Castro era um dos que tinha previsto um aumento forte das importações, após a suspensão da greve dos auditores fiscais, inclusive com a balança registrando saldo negativo. Segatto, por sua vez, acredita que "as importações vão crescer. Está tudo represado", e ressalta que o processo de liberação das importações é mais demorado do que o das exportações, e que levará, no mínimo, 30 dias para a regularização da situação. Na avaliação do dirigente da Abracex, a alta do dólar frente ao real, que torna o produto mais caro para o importador, também estaria ajudando na redução das importações. Mas, segundo ele, à medida que o importador "se acostumar" com o atual nível da taxa de câmbio e perceber que ele não deverá cair no futuro próximo, novas ordens de compra começarão a ser feitas. Segatto lembrou também que muitas empresas brasileiras, que dependem de insumos importados, estão com estoques a zero e, mais cedo ou mais tarde, terão que começar a fazer reposição. "A Petrobrás, as petroquímicas e outras importadoras de matéria prima estão com estoques baixos", disse o presidente da Abracex, entidade que reúne 280 associados.Ele também acredita que a falta de trigo no mercado doméstico deverá gerar pressão nas importações. Segundo ele, os argentinos estão segurando as vendas do produto à espera de uma melhora nos preços. Na sua avaliação, o "momento é de espera e expectativa" para avaliar o impacto da retração econômica no comércio exterior. Por enquanto, segundo ele, ainda não é possível associar o comportamento das importações após a suspensão da greve da Receita a um queda ainda mais forte do que a projetada inicialmente do nível de atividade econômica.Já Castro afirma que "se os números (das importações) se mantiverem, esse resultado pode indicar que a retração da economia é mais forte do que se esperava".Nesse caso, segundo o diretor da AEB, o superávit da balança poderá ser muito maior do que o estimado. Ele ressaltou, no entanto, que mais uma vez o resultado positivo da balança está sendo alcançado não pelo aumento das exportações, que gera emprego no País, mas pela redução das importações.

Agencia Estado,

22 de julho de 2002 | 19h04

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