Tiago Queiroz/Estadão
Crise hídrica e apagão rondam novamente o País Tiago Queiroz/Estadão

Especialistas e deputados criticam teor de MP que prevê racionamento de energia

MP institui um comitê que pode prever programa de racionalização compulsória do consumo de energia elétrica

Anne Warth e Marlla Sabino, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2021 | 20h29

BRASÍLIA - Especialistas e deputados criticaram o teor da Medida Provisória que abre caminho para a adoção de um racionamento de energia no País, revelada pelo Estadão/Broadcast, e a gestão do governo na pior crise hidrológica que o Brasil viveu nos últimos 91 anos. 

 O ex-diretor da Aneel Edvaldo Santana afirmou que o governo precisa se organizar para o pior. “As incertezas podem ser reduzida com ações também do lado da demanda, mas ou é uma medida compulsória ou é um simples programa de racionalização, que é voluntário. Não há um programa de ‘racionalização compulsória’, como imagina o governo. É melhor ir direto ao ponto. A sociedade compreenderá melhor”, disse.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, a minuta da MP institui um comitê que pode prever "programa de racionalização compulsória do consumo de energia elétrica", além do acionamento de termelétricas, "diante do contexto crítico e excepcional que o País vivencia". 

Economista e sócia do escritório de advocacia Sergio Bermudes, Elena Landau afirma que a MP não deixa claras as atribuições e responsabilidades do comitê. “O texto é vago, a governança é difusa. Um comitê de crise precisa de comando, como foi dado a Pedro Parente no racionamento de 2001”, afirmou.

De acordo com o texto da MP, o comitê será presidido pelo ministro de Minas e Energia, com participação dos ministros da Casa Civil, Desenvolvimento Regional, Meio Ambiente, Infraestrutura, Advocacia Geral da União, e dirigentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel),  ANA, Ibama, ONS, Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e outros membros designados pelo governo.

Para Landau, não há como restringir o uso da água por hidrelétricas e, ao mesmo tempo, atenuar impactos no custo da energia. “Isso não reduz demanda, não tem como”, afirmou. “E ainda vão usar o racionamento para justificar o desvirtuamento das funções do planejamento por meio dos jabutis da MP de privatização da Eletrobrás, como se contratar térmicas para entrarem em operação daqui anos fosse resolver a situação.”

A MP que prevê o racionamento está sendo preparada às vésperas da votação do texto que permite a privatização da Eletrobrás no Senado. A previsão é que o relator, senador Marcos Rogério (DEM-RO), apresente seu parecer para que o texto sobre a capitalização da estatal seja analisado na terça-feira, 15. Caso seja feita alguma alteração, a matéria terá que ser analisada pela segunda vez na Câmara. O prazo é apertado, já que a medida precisa ser aprovada pelo Congresso até o dia 22 ou perderá a validade.

Relator da MP da Eletrobrás na Câmara, o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) disse que a crise é fruto da aposta de governos passados em hidrelétricas. “Só não estamos em situação pior porque o País não cresceu muito nos últimos anos. Vamos passar por esse aperto agora e ano que vem será pior se não chover”, afirmou.

O deputado voltou a defender a contratação de 6 mil megawatts em termelétricas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste – um dos jabutis que estão no texto da proposta de privatização da Eletrobrás. “Esse é o mínimo que vamos precisar”, afirmou. “Tudo isso mostra a necessidade de aprovar a privatização e atrair investimentos da iniciativa privada.”

Na avaliação do presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara, deputado Edio Lopes (PL-RR), o horizonte não é promissor e exige que  governo tome medidas que incluam acionar todas as fontes alternativas, para poupar os reservatórios, e um trabalho diplomático com a Argentina e Uruguai, que exportam energia para o Brasil. Apesar disso, ele ressalta que os países não têm uma sobra de energia capaz de trazer tranquilidade ao Brasil, o que irá se agravar com a chegada da estação fria, quando aumenta o consumo de energia nos países vizinhos.

Lopes lembra que a situação dos reservatórios da bacia do Paraná pode atingir, até outubro, um nível mais grave do que em 2001, quando o País passou por racionamento. Mas ele afirmou que a situação é diferente, já que a dependência por usinas hidrelétricas na matriz é menor. “Nessa previsão que caminhamos, até o final de outubro, com a disponibilidade de outras fontes de energia que temos, nós não teríamos racionamento, nem sofreríamos apagões. Agora o governo, um governo precavido, tem que tomar duras medidas e já teria que ter tomado, pois a seca não é um mal de 2021. Se pegar o histórico de regime de volume de chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste, nos últimos sete anos os Estados estão sofrendo ano ano uma diminuição de chuvas”

O deputado também alerta para outro efeito da crise: o aumento das contas de luz. “Uma coisa já está definida, a energia vai ficar muito cara. Não tem como evitar”. Isso porque, além dos subsídios que os consumidores já carregam nas contas, será necessário acionar bandeiras tarifárias em patamares mais altos.

Conforme mostrou o Estadão/Broadcast, o entendimento no governo é que os valores atuais do sistema não estão suportando a elevação nos custos para compra de energia térmica, necessária para garantir o abastecimento. Para fazer frente aos custos, está em análise a criação de uma nova faixa de bandeira, ainda mais cara.

O deputado Danilo Forte (PSDB-CE) defende a ampliação da infraestrutura, para incentivar a produção de energia renovável, principalmente eólica e solar, abundantes no Nordeste. “Temos que avançar rapidamente na ampliação da rede de transmissão. Estamos pressionando o ministério de Minas e Energia para que agilize os leilões. Não precisamos de recurso público, é tudo feito com o setor privado”, disse.

O deputado avalia que uma eventual restrição no fornecimento de energia dependerá do aumento da demanda por energia. “Se a gente tiver um crescimento mínimo de demanda, seja proporcionado pelo crescimento econômico, ou o frio, que também aumenta o consumo, isso pode criar uma necessidade de racionamento”, afirma. Ele  também ressalta a preocupação com o encarecimento da energia, com acionamento de bandeira vermelha, que afeta principalmente as famílias mais pobres.

O parlamentar foi um dos autores de requerimentos que pediam realização de audiências públicas para discutir a crise hídrica na Câmara. Na próxima terça, 15, a Comissão de Minas e Energia da Câmara recebe o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, o presidente do Operador Nacional (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, e o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Barral. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, prestará explicações no dia 23.

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Governo prepara medida provisória que abre caminho para racionamento de energia

Documentos revelam a intenção de criar um comitê que terá o poder de adotar medidas como a redução obrigatória do consumo e a contratação emergencial de térmicas, que foram adotadas na crise de 2001

Marlla Sabino e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2021 | 08h18
Atualizado 14 de junho de 2021 | 11h16

BRASÍLIA -  O governo tem nas mãos uma medida provisória que cria condições para adoção de um racionamento de energia. O Estadão/Broadcast teve acesso a documentos internos que revelam a intenção de criar um comitê de crise que terá o poder de adotar medidas como a redução obrigatória do consumo e a contratação emergencial de termoelétricas - mesmas medidas adotadas em 2001, quando a população e as empresas foram obrigadas a diminuir a carga em 20% para evitar o apagão.

Publicamente, sempre que questionado, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, tem negado o risco de um racionamento e assegurado o abastecimento.

A MP propõe a formação de um grupo que poderá mudar a vazão de hidrelétricas de forma imediata, sem aval de outros órgãos e entes que costumam ser consultados, entre eles Estados e municípios. Os custos das medidas serão pagos pelo consumidor, por meio de taxas na conta de luz, diz a proposta. O texto está sendo analisado em meio à pior crise hidrológica que o Brasil viveu nos últimos 91 anos, sem perspectiva de chuvas nos próximos meses.

“Diante do contexto crítico e excepcional que o País vivencia, para garantir a efetividade das deliberações desse colegiado, com a tempestividade necessária, torna-se premente que essas se tornem excepcional e temporariamente determinativas, podendo prever, inclusive, o estabelecimento de programa prioritário de termeletricidade e de programa de racionalização compulsória do consumo de energia elétrica”, diz a minuta a qual o Estadão/Broadcast teve acesso.

O racionamento de energia vigorou entre 1.º de julho de 2001 e 19 de fevereiro de 2002, período durante o qual a população foi obrigada a reduzir o consumo em 20%. Quem não cumpria a meta pagava um adicional na conta de luz que variava de 50% a 200% e podia até mesmo ter a energia cortada por dias como forma de punição. A minuta da MP em análise pelo governo não faz referência a incentivos ou bônus para quem economizar além da meta a ser determinada pelo governo, como ocorreu no passado, nem define essa meta.

A MP deixa em aberto a possibilidade de que o encargo poderá ser usado, também, para pagar eventuais indenizações aos prejudicados pela não manutenção do uso múltiplo da água - como donos de pousadas na margem de represas que serão afetadas pelas deciões, por exemplo.

Com o racionamento, as indústrias também tiveram de reduzir a produção, e o Produto Interno Bruto (PIB), que havia crescido 4,4% em 2000, desacelerou para 1,4% em 2001.  Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que o apagão de 2001 causou perdas de R$ 45,2 bilhões, pagas em sua maioria pelo consumidor, que teve que arcar com reajustes elevados nos anos seguintes.

O desgaste político e econômico é apontado como uma das causas do fracasso do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em fazer um sucessor. Nas eleições de 2002, José Serra foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.

Pela minuta da MP, as usinas do Programa Prioritário de Termeletricidade, mesmo nome de um programa criado em 2000 na tentativa de evitar o racionamento decretado no ano seguinte, deverão ser contratadas em leilões como energia ou reserva de capacidade.

Para adotar essas e outras medidas, o governo vai criar a Câmara de Regras Operacionais Excepcionais para Usinas Hidrelétricas (CARE), grupo que poderá determinar mudanças imediatas na vazão desses empreendimentos.

“Destaca-se que o controle hidráulico de reservatórios é apenas um dos remédios para manter a segurança e continuidade do suprimento de energia elétrica ao longo do período seco de 2021”, acrescenta o documento.

O comitê deverá promover a “concertação” de atores da administração pública com vistas à “articulação e à efetividade das ações” com a “tempestividade necessária” para garantir o abastecimento de energia.

Atualmente, quando há necessidade de se preservar água nos reservatórios das hidrelétricas, o primeiro passo é a elaboração de uma nota técnica por parte do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Depois, é preciso aprovar a recomendação no âmbito do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), órgão presidido pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

Por fim, é preciso comunicar o dono do empreendimento, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Agência Nacional de Águas (ANA). Em alguns casos, as decisões levam dias e até semanas para serem implementadas, devido a impactos em reservatórios com usos múltiplos, como o abastecimento da população, manutenção de hidrovias e a preservação da fauna e da vegetação.

A exemplo do que foi feito em situações de escassez hídrica que ocorreram no passado, prejuízos a geradores que tiverem que produzir menos energia para cumprir as determinações impostas pelo governo serão pagos pelo consumidor. Os custos para evitar o apagão serão pagos por meio de uma taxa - Encargos de Serviço do Sistema (ESS) - embutida na conta de luz de todos os consumidores.

O comitê, presidido pelo ministro de Minas e Energia, será formado ainda pelos ministros da Casa Civil, Desenvolvimento Regional, Meio Ambiente, Infraestrutura e Advocacia-Geral da União, e dirigentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ANA, Ibama, ONS, Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e outros membros designados pelo governo.

Caberá ao grupo aprovar soluções “temporárias ou definitivas” para atenuar a crise hídrica. A ideia é articular as ações com Estados e municípios e até impor ações a governadores e prefeitos, que muitas vezes resistem a mudanças nas vazões que possam prejudicar regiões ou negócios.

A primeira reunião do comitê deverá ocorrer em até três dias úteis após a publicação da medida provisória, com vistas a priorizar o consumo de água por pessoas e animais, além do abastecimento de energia. A MP propõe ainda que o grupo seja extinto no último dia útil de 2021, 30 de dezembro, antes do início do ano em que o presidente Jair Bolsonaro pretende disputar a reeleição.

A MP está sendo preparada às vésperas da votação do texto que permite a privatização da Eletrobrás no Senado. A previsão é que o relator, senador Marcos Rogério (DEM-RO), apresente seu parecer para que o texto seja analisado na terça-feira, 15. Caso seja feita alguma alteração, a matéria terá que ser analisada pela segunda vez na Câmara. O prazo é apertado, já que a medida precisa ser aprovada pelo Congresso até o dia 22 ou perderá a validade.

Crise hídrica

Diante da escassez de chuvas nos últimos anos, o Brasil vive sua pior crise hidrológica já registrada, com níveis alarmantes nos reservatórios das principais usinas hidrelétricas. Desde outubro, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) tem tomado ações para garantir o abastecimento de energia no País, que incluem o acionamento de usinas térmicas mais caras e a importação de energia da Argentina e do Uruguai.

A situação levou o governo a emitir um alerta de emergência hídrica de junho a setembro em cinco Estados brasileiros - Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, todos na bacia do Rio Paraná, onde a situação é mais grave. Nas últimas semanas, o CMSE determinou medidas para reter água nos reservatórios das hidrelétricas da região, de forma a evitar a liberação de volumes usados para outras atividades, como navegação em rios, pesca e captação de água potável.

A restrição deve atingir em cheio a hidrelétrica de Furnas, que fica no sul de Minas, uma das áreas de maior influência política do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Ele foi um dos principais defensores da mudança da cota mínima da represa e articulou a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com esse teor pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais no fim do ano passado.

Com o apoio do governo à eleição de Pacheco no Senado, o ministro Bento Albuquerque ignorou o fato de que a PEC era flagrantemente inconstitucional, pois o rio atravessa outros Estados e, por isso, a competência é federal. O ministro foi pessoalmente à usina, onde se comprometeu a manter o nível do reservatório no imposto pela proposta.

Pacheco tem cobrado publicamente o cumprimento desse compromisso e afirmou que secar os reservatórios do sistema de Furnas é inaceitável. O Estadão/Broadcast apurou que o senador se movimenta para tentar aprovar medida semelhante para fixar o nível do reservatório de Furnas no Congresso Nacional.

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Ministério de Minas e Energia não nega MP, mas diz explorar medidas para evitar racionamento

As medidas previstas na MP em estudo são as mesmas adotadas em 2001, quando a população e as empresas foram obrigadas a diminuir a carga em 20% para evitar o apagão

Marlla Sabino e Anne Warth, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2021 | 18h43

O Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou neste sábado, 12, que instituições  do setor energético continuam trabalhando para garantir a segurança energética, em meio à pior crise hidrológica já registrada no País, para evitar impor racionamento aos brasileiros. 

A nota foi publicada após o Estadão/Broadcast revelar que o governo prepara uma Medida Provisória que cria condições para o que chama de "programa de racionalização compulsória do consumo de energia elétrica" e para a contratação emergencial de termelétricas. O comunicado da pasta não nega que a proposta esteja em discussão.

Publicamente, sempre que questionado, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, tem afastado a possibilidade de apagão ou corte compulsório de energia. As medidas previstas na MP em estudo, no entanto, são as mesmas adotadas em 2001, quando a população e as empresas foram obrigadas a diminuir a carga em 20% para evitar o apagão.

“Com a atuação tempestiva de todos os envolvidos e considerando o quanto o setor elétrico brasileiro evoluiu, é que o governo federal, inclusive em coordenação com os entes federativos, vem explorando todas as medidas ao seu alcance que nos permitirão passar o período seco de 2021 sem impor aos brasileiros um programa de racionamento de energia elétrica”, diz o comunicado.

A pasta explicou que, apesar da geração hidrelétrica representar 65% da produção de eletricidade no Brasil, a participação da fonte na matriz elétrica vem cedendo espaço para outras desde os anos 2000. A estratégia de diversificação busca reduzir a dependência das usinas hidrelétricas, uma das principais vulnerabilidades identificadas no racionamento em 2001, durante a gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

O ministério afirma ainda que as instituições setoriais estão agilizando a implementação das ações que garantem o fornecimento “normal” de energia para toda a população. “O MME reitera, desta forma, com transparência, que este é o momento em que cada um tem que fazer a sua parte, governo e sociedade, buscando o uso racional dos recursos hídricos e da energia elétrica, permitindo que todos nós passemos por esta conjuntura crítica com serenidade e sem alarmismos.”

Segundo a pasta, as medidas relacionadas  à gestão dos recursos hídricos, como a maior retenção de água nos reservatórios, têm sido também discutidas na Sala de Situação do Governo Federal com diversos órgãos da administração pública. “Isso é importante para que haja sinergia, tempestividade e segurança jurídica nas respostas”, diz a nota.

Além de criar condições para um racionamento e para a contratação emergencial de termelétricas, a minuta da MP ao qual o Estadão/Broadcast teve acesso  também propõe a formação de um grupo, a Câmara de Regras Operacionais Excepcionais para Usinas Hidrelétricas (Care), que poderá determinar mudanças imediatas na vazão desses empreendimentos. O colegiado, que será presidido pelo Ministro de Minas e Energia, poderá tomar decisões sem o aval de outros órgãos, que costumam ser consultados, entre eles a Agência Nacional de Águas (Ana) e o Ibama, além de governadores, prefeitos e concessionários.

Também em nota, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reforçou que atua desde outubro na adoção de medidas preventivas para garantir o abastecimento de energia. A principal ação, segundo o órgão, estabelece a redução de vazões de hidrelétricas de Jupiá e Porto Primavera, que está prevista em portaria do Ministério de Minas e Energia publicada ontem, 11. Procurado, o órgão informou não ter conhecimento do teor da MP.

“O Operador acredita que a transparência e integração com a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) são fundamentais na discussão das medidas a serem adotadas", diz a nota. “O ONS ressalta ainda que o suprimento de energia para 2021 está garantido e que não há risco de racionamento no País, porém destaca a importância do uso dos recursos de água e energia de forma consciente pela população brasileira.”

A Agência Nacional de Energia Elétrica também foi procurada pela reportagem, mas preferiu não se manifestar.

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