Especialistas mostram como é no exterior

Fornecer para grandes multinacionais é possível, mas desde que o empreendedor organize-se em rede, invista tempo e dinheiro em testes de adequação do produto e, sobretudo, conte com o suporte de uma política de governo favorável.

O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2014 | 03h11

Em perspectiva, essas foram as conclusões do último dia do seminário de encadeamento produtivo organizado pelo Sebrae em São Paulo. O evento reuniu uma equipe de especialistas internacionais que procurou refletir sobre o papel desempenhado pelas pequenas empresas na estrutura de gigantes corporativas, e como o Brasil participa desse intercâmbio.

"O pequeno empresário precisa saber se posicionar, entender onde e como ele pode ajudar a grande companhia. Mas o País tem de ter um conjunto de políticas para incentivar o setor. O governo precisa ter uma estratégia e saber qual a velocidade para fazer o encadeamento acontecer", afirmou Tilman Attenburg, chefe do departamento de desenvolvimento econômico e social sustentável do Instituto Alemão de Desenvolvimento (DIE).

Para o especialista alemão, um bom exemplo, que pode ser encarado como referência pelo Brasil, vem da Malásia, que em muito pouco tempo estruturou uma cadeia de pequenos negócios para atender as demandas do segmento de tecnologia.

"Eles perceberam suas deficiências e, por isso, o governo formatou um clube de desenvolvimento. O currículo foi todo feito pela indústria, mas com subsídio do governo", disse o especialista, que deu uma dica para os participantes: "O mercado precisa de generalistas. As grandes empresas precisam reduzir custos e não querem lidar com muitos fornecedores. Também é preciso se organizar. Grandes firmas não podem fazer uma triagem no Brasil inteiro."

Na opinião de Paulo Vicente Alves, professor da Fundação Dom Cabral, a posição do Brasil depende, basicamente, de uma definição política. "O mundo está mudando. A África vai competir com o Brasil no fornecimento de commodities em pouco tempo e os Estados Unidos estão motivados em trazer a indústria de volta da China para seu país. Isso vai mudar o mundo e o Brasil precisa definir o que quer de suas empresas para os próximos anos", afirmou.

Alves defendeu a importância do trabalho em conjunto para causar impacto no mercado. "Cooperar e competir é a essência do homem. As empresas devem, sim, trabalhar em redes de cooperação para ganharem espaço", concluiu.

Criador do Business Model Canvas, uma ferramenta de gerenciamento estratégico que permite desenvolver e esboçar modelos de negócios novos ou existentes, Alexander Osterwalder também participou do evento. Ele falou sobre o papel do planejamento para que empresários, grandes ou pequenos, possam ampliar sua eficiência e diminuir os riscos. "As pessoas pensam anos em seu modelo de negócio, pensam tanto tempo que, às vezes, não acreditam que ele possa não funcionar. O grande desafio é sair desse modelo mental e colocar a ideia à prova", afirmou o autor do famoso livro 'Inovação em Modelos de Negócios - Business Model Generation'.

Empresário precisa,

antes de mais nada, ser organizado em rede e

ainda contar com um

produto de qualidade

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