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Especialistas recomendam cautela

Retorno do investimento vai exigir paciência porque dependerá do sucesso da exploração do pré-sal, que levará anos, dizem analistas

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

Na reta final para a reserva de ações da capitalização da Petrobrás - aos novos acionistas o prazo vai até dia 22 - os investidores congestionaram as linhas telefônicas e sites das corretoras. Especialistas em finanças pessoais, no entanto, recomendam cuidado com a euforia e salientam que investimento em ações, sobretudo na Petrobrás, deve ser de longo prazo.

O principal motivo para a recomendação é o tempo de maturação que o pré-sal terá. Nunca houve exploração de petróleo em águas tão profundas e ainda não há tecnologia consolidada para retirar o óleo debaixo do sal em larga escala, explica Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie).

"O investidor precisa ficar na Petrobrás até o pré-sal ser explorado para que os frutos desse desenvolvimento sejam creditados", diz Ernesto Lozardo, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Lozardo afirma que o projeto do pré-sal é muito grande e só atingirá o ápice daqui a 15 anos. "Mas, em dois anos, creio que a cotação do papel retomará a média de preço de dezembro do ano passado", estima.

Na sessão de ontem da Bolsa de Valores de São Paulo os papéis preferenciais (PN) da estatal fecharam em leve alta de 0,30%, para R$ 26,44. A média de preço de dezembro de 2009 foi de R$ 38. "Haverá um retorno futuro. É um empresa idônea e estamos falando de mercado seguro", reforça Lozardo.

O forte deságio que a ação sofreu de dezembro para cá, está totalmente relacionado à capitalização, que demorou para sair do papel. Para Ricardo Almeida, professor de finanças do Insper, o recuo no preço é muito positivo ao novo investidor. "As ações serão compradas a um preço muito baixo, o que potencializa a chance de haverem ganhos", diz.

O especialista também considera que o investimento deve ser feito com objetivo de longo prazo. Para ele, quatro ou cinco anos é um "período interessante" para manter as ações na carteira.

Outro fator salientado por Almeida é o bom nível de rentabilidade da empresa, que tem sido o mais alto entre as petroleiras. Entre 2005 e 2009, a margem de ganho líquido sobre a receita da Petrobrás foi de 16%, enquanto a ExxonMobil (segunda maior) registrou 10% e, a Chevron, 8% (terceira).

Questionado sobre os riscos de o petróleo entrar em desuso por conta da preocupação com o meio ambiente, Lozardo afirma que esse receio "é assunto para daqui 50 anos." "O mercado internacional ainda não retomou os níveis anteriores à crise financeira das atividades produtivas, assim que isso ocorrer haverá uma forte demanda por petróleo o que naturalmente irá impulsionar a cotação do barril e trará ainda mais ganhos à Petrobrás", diz.

Concentração. Um especialistas em investimentos, que pede para não ser identificado, não concorda com a opinião dos professores. "Os investidores estão concentrando os seus recursos na Petrobrás e isso é um risco muito grande."

Na opinião desse especialista, é muito mais vantajoso ao pequeno investidor, comprar papéis de empresas que prestarão serviços à Petrobrás na exploração do pré-sal. "E só recomendo isso para aquele investidor que quer muito investir na indústria petrolífera. Caso contrário, recomedo outros aportes, como nas ações do setor bancário, que está performando muito bem."

O analista de um corretora considera que há uma euforia forçada no processo. "A mídia falou muito sobre o tema e investimento em ação não é tão simples quanto parece", diz.

Outro analista salienta que os pequenos investidores não sabem dos riscos tecnológicos e políticos que cercam a empresa. "As regras da capitalização foram muito confusas e o investidor comprou os papéis independentemente dos riscos", observa fonte. Segundo esse profissional há o risco de tecnológico de se desenvolver o pré, sem contar os "custos altíssimos" que essa exploração irá gerar.

Até dia 22. Desde o dia 13 está aberta a oferta de ações ao varejo, em que qualquer interessado pode participar. O prazo para a reserva desses papéis vai até o dia 22 deste mês. O investimento mínimo deve ser de R$ 1 mil e o máximo é de R$ 300 mil.

O pedido desse público, no entanto, só será atendido se sobrarem ações da oferta primária, que teve o período de reserva concluído no dia 16 e só puderam participar quem já é acionista da companhia.

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