Suamy Beydoun/Agif/31/03/2017
Suamy Beydoun/Agif/31/03/2017

Especialistas veem espaço para alta de ações no curto prazo

Para analistas, até março há janela para aplicações na Bolsa, mas investidor deve considerar os riscos

Felipe Siqueira e Talita Nascimento, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2018 | 05h00

Mesmo com o investidor estrangeiro cauteloso, o que pode fazer com que 2018 registre a maior retirada de recursos externos da Bolsa brasileira em dez anos, especialistas ouvidos pelo Estado afirmam que a virada do ano pode ser uma boa oportunidade para o pequeno investidor que tem apetite a risco aplicar em ações. 

De acordo com eles, entre o quarto trimestre deste ano e o primeiro do ano que vem, há espaço para mais altas na Bolsa, em função do otimismo presente no mercado. Segundo Michel Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper, as perspectivas de retomada de crescimento do País com a troca de governo estão maiores. “Acho que vai ser um bom período para a Bolsa brasileira. Quem preferir esperar (para ter maior clareza sobre cenário nacional), corre o risco de perder o bonde”, diz. 

Horizonte

O gestor e sócio- fundador do fundo multimercado Versa, Luiz Fernando Alves, concorda, mas lembra que o investidor também tem de pensar a médio e longo prazo. “É uma boa hora para partir para a renda variável, mas a pessoa precisa ter horizonte de quatro anos. Tem de ter estômago porque fatores externos podem sacudir o mercado. Analisando o ciclo atual, a perspectiva é boa. E ciclo vira dinheiro.”

O responsável pelas ações de renda variável da AZ Quest, Alexandre Silverio, avalia que, Brasil pode ser um destaque entre os emergentes. Isso porque, segundo Alves, o País apresenta crescimento de lucro acima dos demais emergentes, além de ter, agora, perspectivas macroeconômicas melhores, como mostram indicadores da inflação.

Além do horizonte maior que deve ser levado em conta na hora de fazer o investimento, Viriato, do Insper, faz outra alerta: quem for entrar pela primeira vez no mercado de renda variável, saindo dos títulos de renda fixa, como Tesouro Direto, por exemplo, precisa se preocupar com os altos riscos, que são desconhecidos para quem ainda não foi introduzido no mercado acionário. “Tem de ir com muita cautela. Entrar com porcentual pequeno de investimento, em fundos de menor risco, como os imobiliários, que tenham menor volatilidade.” 

Experientes

Para investidores experientes e conhecedores da dinâmica da Bolsa brasileira, Viriato fala que um dos principais pontos é ter ciência de que o Brasil ainda é um País emergente, logo, representa muito risco em relação a economias maduras, como as dos Estados Unidos e países da Europa. 

“O investidor brasileiro tem de estar ciente que somos um País emergente. Muita gente esquece e quer alocar 60% dos recursos em Bolsa. Dado o risco e a taxa de juros que temos ainda, não é adequado. Você tem de ter porcentuais de alocação mais comedidos, entre 30% e 40%, no máximo.” 

Além disso, é necessário estar atento aos prêmios oferecidos, ou seja, à possibilidade maior de ganhos, com melhor rentabilidade. “Com cenário mais claro, há menor prêmio, mas haverá mais certeza de retorno. O risco, normalmente, vem acompanhado de prêmio.” 

Por último, o coordenador do laboratório de finanças do Insper indica que, quando já se é iniciado no mercado, uma boa opção é olhar para as bolsas estrangeiras, pensando em diversificação. “Os múltiplos estão em patamares atrativos nos Estados Unidos e, embora se desconfie lá fora, a confiança é maior que a nossa. O retorno é menor, mas é mais certo.”

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.