Especialistas vêem nova reserva de petróleo com cautela

A divulgação, pelo presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, sobre a possibilidade de a área de Pão de Açúcar, na Bacia de Santos, ter até 33 bilhões de barris de óleo equivalente em seus reservatórios foi recebida com cautela por especialistas, consultores e técnicos do setor. "Acho que foi totalmente extemporânea esta divulgação. A ANP se antecipou", comentou o geólogo e professor da UFRJ Giuseppe Bacoccolli.Em sua opinião, a perfuração de apenas um poço no local, o bloco BM-S-9, não permitiria tecnicamente uma afirmação contundente a respeito do volume de óleo encontrado em uma área. "O que costuma ser feito nestas ocasiões é um exercício para quem está interessado em divulgar notícias otimistas, que é o de multiplicar o volume encontrado nesse primeiro poço pela área total do campo, admitindo para isso que as características de porosidade e demais variáveis encontradas neste primeiro poço se repitam em toda a extensão da área", comentou."Estou estupefato", afirmou o ex-diretor geral da ANP Sebastião do Rego Barros. Ele lembrou que, se confirmada esta informação, o Brasil passa com este volume a ocupar uma posição privilegiada entre os produtores de petróleo no mundo. "Apesar de esta informação já estar circulando no mercado, é a primeira vez que ouvimos isso de uma fonte oficial", afirmou.Para o secretário executivo da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo (ABPIP), Paulo Guimarães, há o temor de que as revelações de descobertas em águas ultraprofundas (na camada de pré-sal) atrasem futuras licitações. "É preciso que haja uma continuidade no processo, especialmente nas áreas terrestres, onde está sendo atraído o capital do pequeno investidor e que não tem nada com isso", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.