Felipe Rau/Estadão
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Especializada em tecnologia, Fast Shop cria área 'desconectada' para vender colchão

Rede comprou um participação na startup Zissou para oferecer produtos do sono, com foco no consumidor de alta renda

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2019 | 15h05

A Fast Shop, rede varejista especializada em produtos de tecnologia, comprou uma participação na startup Zissou, voltada para produtos do sono, e começa a vender colchão, travesseiro e lençol. O negócio foi fechado em setembro. A varejista, uma empresa familiar que está desde 1986 comercializando eletrônicos, não revela o valor da transação e limita-se a informar que adquiriu uma participação minoritária, porém relevante na startup.

 Com foco no consumidor de renda alta, a sexta maior varejista de eletroeletrônicos em faturamento, com vendas de R$ 2,6 bilhões em 2018, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), a Fast Shop quer crescer entrando em novos segmentos de mercado e na prestação de serviços relacionados com os produtos que comercializa.

À primeira vista, a aposta de misturar sono com tecnologia pode parecer estranha. Quem entra na loja no Bourbon Shopping, na zona oeste da capital paulista, com vários modelos de televisores, celulares, computadores, entre os inúmeros eletrônicos, se depara com um cubo de vidro de 16 metros quadrados. É um espaço zen que convida o cliente a se desconectar do mundo eletrônico, deitar na cama e relaxar.

“Nossos produtos são escolhidos dentro da jornada do dia a dia do consumidor. Até então, não estávamos investindo no momento do sono”, diz Vinicius Rodrigues,  gerente de marketing da varejista. É que o mercado de colchões em geral e de produtos relacionados com o sono é atraente. Nas contas de Andreas Burmeister, sócio da Zissou, o setor movimenta anualmente cerca de R$ 30 bilhões no varejo brasileiro.

Ocorre que o colchão, importado dos Estados Unidos pela startup e vendido com exclusividade pela varejista,  não é um colchão comum, mas agrega tecnologia.  Ele é composto por três camadas – uma de espuma de poliuretano, outra de viscoelástico e a última de látex –,  embalado à vácuo e cabe numa pequena caixa de um metro altura por 40 centímetros de largura.  O preço é salgado. Varia de R$ 2,9 mil, colchão de solteiro, a quase R$ 6 mil o de casal, de maior tamanho (king size). A categoria, conhecida como “colchão dentro da caixa” (bed in a box), já responde por 15% do mercado do produto nos EUA.

Engenheiro eletrônico de formação e um dos executivos responsáveis pela abertura da loja da  Xiaomi, empresa chinesa de produtos eletrônicos, no Brasil, Burmeister e dois outros sócios  iniciaram há três anos a startup voltada para “produtos do sono”, um negócio que vai além do colchão espremido na caixa. Por enquanto, ele também  vende travesseiro modulado e lençol de fibra de bambu.

Neste ano, a startup deve faturar R$ 10 milhões e projeta vendas de R$ 50 milhões para 2020. Seus produtos são comercializados no site e na loja própria e equipam três hotéis da marca Fasano (Angra dos Reis, Salvador e Belo Horizonte). A inspiração da startup, conta o sócio, veio da marca americana Casper, cujas lojas são coqueluche no varejo dos EUA, onde o consumidor pode experimentar produtos que relacionam o sono com tecnologia.

Avanço digital

“Considero positivo esse movimento da Fast Shop de fazer algo diferente”, diz Eduardo Terra, presidente da SBVC. Ele lembra que todos os varejistas do setor de eletroeletrônicos  sofreram com a crise e, na sequência, tiveram de se adaptar com a transformação digital do varejo. Apesar de ter site, aplicativo, marketplace, na opinião de Terra, a Fast Shop não conseguiu caminhar na mesma velocidade dos concorrentes, como os gigantes Via Varejo e Magazine Luiza,  na transformação digital. Ele observa que essa virada exige grandes investimentos. Por isso, focar em novos nichos de mercado e agregar prestação de serviços ele considera uma estratégia correta.

Rodrigues, da Fast Shop, acredita que no primeiro ano de operação a venda de produtos do sono poderá representar 1% do faturamento da varejista. Em três anos, essa fatia deve subir para 3% a 4%. Serviços oferecidos, como limpeza de estofado, troca de filtro do aparelho de ar condicionado, por exemplo, representam neste momento 2% da receita.

A varejista inaugura na semana que vem a 101.ª loja  no País, em João Pessoa. Neste ano, a empresa reinaugurou quatro lojas: Shopping Tijuca (RJ), Diamond Mall (MG), Galleria Shopping Campinas (SP) e a loja conceito no shopping West Plaza (SP).  Mais da metade das vendas (60%) da companhia ocorre nas lojas físicas. Site, marketplace e televendas respondem pelo restante. 

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