Espectro para crescimento da indústria é sombrio, avalia Ciesp

O cenário da indústria para o quarto trimestre está longe de ser positivo. Segundo o economista chefe do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Carlos Cavalcanti, os indicadores referentes a setembro mostram que o ritmo da produção industrial segue trajetória declinante, "o que deixa um espectro sombrio para o crescimento da indústria em 2006". Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou que a produção industrial caiu 2% em setembro ante agosto na série com ajuste sazonal (considerando os efeitos temporais). O resultado foi pior do que indicavam as estimativas do mercado, que variavam entre uma queda de 0,50% e baixa de 1,90%. Na comparação trimestral, o terceiro trimestre apresentou o pior resultado do ano, com crescimento de 1,5% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Esgotamento da capacidade das famílias de se endividar A evidente redução na produção de bens duráveis, segundo o economista, sinaliza um esgotamento da capacidade das famílias de se endividar por meio do crédito consignado. O crédito ao consumidor registrou queda de 6,51%, passando de R$ 2,15 bilhões no segundo trimestre para R$ 2,01 bilhões no terceiro, de acordo com dados compilados pelo Ciesp. "A retração na indústria é generalizada e, se adicionarmos a fragilidade que vem sendo criada para o dinamismo das exportações com a valorização do real, não é difícil imaginar os entraves que estão sendo deixados pelo caminho para os próximos meses", disse Cavalcanti, ressaltando que o ritmo de expansão da economia está arrefecendo por conta dos "juros estratosféricos e da asfixia do câmbio".

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