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''Especuladoras agravaram crise no Brasil''

PIB teria caído menos sem os problemas com derivativos, diz economista

Fabio Graner, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2009 | 00h00

Os graves problemas enfrentados por empresas brasileiras nos mercados de derivativos no fim de 2008 foram determinantes para o quadro de recessão técnica pela qual o Brasil deve ter passado desde o agravamento da crise global. A avaliação foi feita ao Estado por Marcelo Fiche, assessor especial do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltando que essa não é uma posição do ministério. A recessão técnica ocorre quando o Produto Interno Bruto (PIB) cai por dois trimestres seguidos. Embora o dado do primeiro trimestre ainda não tenha sido divulgado pelo IBGE, o governo já admite que o PIB encolheu, o que confirmaria a recessão técnica, já que houve recuo também no último trimestre de 2008. Para Fiche, a crise global por si só atingiu fortemente a economia brasileira pelos canais do crédito e do comércio exterior, levando a uma rápida desvalorização do real e à queda na atividade econômica. Mas as perdas bilionárias de grandes empresas, como a Sadia, Aracruz e Votorantim, com derivativos agravaram a desconfiança dos investidores. Com isso, o crédito externo para companhias brasileiras secou e o crédito interno ficou muito mais restrito. "O risco privado disparou. Os problemas com derivativos mexeram muito na confiança, que é fundamental para o crédito", disse Fiche. "Os estrangeiros estavam preocupados, mas viam o Brasil com bons olhos. De repente, ouviram falar da possível existência de uma bolha que afetou empresas brasileiras listadas em bolsa e, então, recuaram completamente o crédito. Mesmo aqui, os bancos ficaram muito desconfiados."Com isso, avaliou, a queda no PIB do quarto trimestre foi maior do que ocorreria "naturalmente", dificultando e postergando a possibilidade de recuperação nos meses seguintes. "O impacto da crise no Brasil seria outro sem a crise de confiança generalizada causada pela ganância financeira, onde empresas que deveriam atuar na sua atividade-fim, usando derivativos apenas como proteção, fizeram especulação", afirmou. Fiche acredita que essas empresas aprenderam a lição e que o mercado brasileiro é bem regulado, embora sempre seja possível melhorar. "Creio que as empresas vão pensar 50 vezes antes de especular com derivativos", afirmou. O diretor de Relações com Participantes da Cetip, Jorge Sant''Anna, concorda que os problemas de grandes empresas com derivativos potencializaram a crise. Mas disse que o problema foi a "sensação" que havia uma crise de derivativos, que de fato não existia. Ele explicou que, no último trimestre, falava-se de potencial de perdas de até US$ 100 bilhões, o que não correspondia à realidade. Segundo ele, no momento mais agudo, com o dólar a R$ 2,50, o potencial máximo de perdas era de US$ 20 bilhões, problema passível de ser contornado (no Banco Central, o cálculo chega a US$ 30 bilhões). "O problema foram as análises dos participantes do mercado, que aguçaram a aversão ao risco. Hoje, o Brasil é considerado um voo para a qualidade", disse Sant?Anna.

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